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Estadão

25 Abril 2012 | 09h55

Nosso amigo Douglas Nascimento, do site São Paulo Antiga, nos enviou sete anúncios de estúdios, técnicas e/ou materiais fotográficos que são verdadeiras preciosidades. Foram publicados nas duas primeiras décadas do século passado em revistas importantes da época, como A Cigarra, Revista da Semana e A Ilustração Brasileira.

O primeiro deles é o mais antigo. Foi tirado em 1906 e faz propaganda do fotógrafo José Vollsack, que abriu seu estúdio na Rua Direita, 2, em São Paulo, em 1880. Como comentamos no post Homem de Mello, Vollsack  foi gerente e sucessor da célebre Photographia Allemã, de Alberto Henschel,  e atuou na capital paulista com seu Grande Photographia por mais de três décadas.

Anúncio do estúdio de José Vollsack, tirada em 1906

Anúncio de TheodoroWendt, de 1906

O segundo anúncio é de Theodoro Wendt, oficina de “clichês” de zincografia (arte de gravar ou imprimir usando lâminas de zinco) e fotogravura (processo fotográfico que permite obter placas gravadas utilizáveis na impressão tipográfica). Funcionou primeiro na Rua do Comércio e depois na Rua Líbero Badaró. Foi publicado em 1906.

 

Já o anúncio abaixo, da Photografia Casa Helio, é de 1917. Saiu na Revista da Semana e listava vários produtos oferecidos  na Rua da Quitanda, 14. Vale a pena reparar em detalhes muito curiosos desta peça publicitária, como o “Vendas em grosso (atacado) e a varejo” e outros termos da época e o número de telefone, que há um século tinha apenas quatro números (!).

Anúncio da Photographia Casa Helio, de 1916

 

O anúncio de Otto Stück, que se apresentava como importador de artigos para fotografias na Rua da Boa Vista, 45-A, saiu na Revista da Semana, também em 1917. E, além do desenho da câmera fotográfica, traz linhas e arabescos comuns na propaganda da época.

Anúncio de OttoStück, importador de artigos fotográficos, publicado em 1917

 

Já o anúncio do Photographia Quaas saiu em 1920 na revista A Cigarra. E oferece “serviço especial para senhoritas e creanças”. Este detalhe é curioso, pois nem todo fotógrafo de antigamente gostava de tirar retratos de meninas e meninos pequenos. A maior reclamação é que eles costumavam dar muito trabalho para ficar quietos durante o tempo necessário para que a imagem fosse feita.

Anúncio do estúdio Photographia Quaas, de 1920

 

Douglas também nos enviou esse anúncio do estúdio do italiano Giovanni Sarracino. Já falamos dele no post Italianos. De acordo com o pesquisador Boris Kossoy, na década de 1910 havia 34 estúdios fotográficos funcionando na capital paulista. E os “oriundi” da colônia italiana representavam metade do mercado. Na foto abaixo, podemos ver mais uma vez a parafernália que os estúdios acumulavam. Todos esses objetos serviam para compor a foto e dar o clima que fotógrafo e retratado desejavam.

O estúdio do italiano Giovanni Sarracino, em anúncio de 1919

 

Vale destacar ainda uma outra imagem enviada por Douglas. Mostra o anúncio da filial brasileira da Kodak, que funcionava no Rio de Janeiro. Como lembramos em outro post, chamado Nos Estúdios, a proliferação das máquinas portáteis – e simplificação do ato de fotografar – marcou o começo do declínio dos antigos estúdios fotográficos.

Anúncio da Kodak