Nos estúdios

Estadão

20 Abril 2012 | 10h42

Moça de figurino requintado posa para foto em estúdio

Por muito tempo, estúdios funcionaram em espaços com grandes janelões e claraboias, de preferência no último andar dos edifícios, para que os fotógrafos pudessem captar melhor a luz natural. Só com o surgimento dos flashes – O de magnésio é de meados dos anos 1910 –, tornou-se possível captar imagens em ambientes mais escuros ou dias de mau tempo.

Na virada do século 19 para o 20, os estúdios concentravam-se principalmente no Rio de Janeiro, então capital da República. Depois, espalharam-se por outras cidades brasileiras. Como São Paulo, que, impulsionada pela economia cafeeira, ia ganhando mais e mais poder econômico e via a imigração crescer e os serviços se desenvolverem.

Imagem assinada pelo fotógrafo Cilento

Nesses centros urbanos cheios de migrantes e imigrantes, os retratos serviam não só como recordação de um determinado momento, como indicavam sucesso, saúde, elegância. Nada como um cenário luxuoso e cheio de objetos requintados, por exemplo, para sugerir a parentes e amigos distantes que a vida estava indo bem. Por trás da câmera, as orientações do fotógrafo eram essenciais.

Uma mão na cintura, outra apoiada

A fase áurea dos estúdios durou até por volta dos anos 1930. Nelson Schapochnik destaca que à introdução nessa época de câmeras Leika, distribuídas em São Paulo pela Casa Lutz Ferrando, “correspondeu paulatinamente a diminuição das prerrogativas do fotógrafo profissional”. “Este não deixou de ser contratado para documentar os momentos mais solenes da vida familiar, no entanto as situações mais informais passaram à alçada de algum membro da família”, explica o autor.

As décadas seguintes acelerariam as transformações. Como destaca a obra Retratos do Imaginário de São Paulo: Fotógrafos e Personagens, “a década de 1950 representa a decadência do estúdio de retrato na forma como foi conhecida por mais de um século”. “Significa o fim do estúdio como local privilegiado da fotografia, passando a ser ocupado apenas pela produção voltada para publicidade e moda, que começam então a ganhar corpo. Cresce nesse período a participação no segmento do retrato de profissionais de outros segmentos, notadamente o fotojornalismo. A presença do retrato de estúdio restringe-se aos momentos especiais, como o casamento, embora seja grande neste caso a concorrência da foto-reportagem”.

Cerimônias como o casamento já eram disputadas por fotógrafos da época