A vinda de Pietro Mascagni ao Brasil

A vinda de Pietro Mascagni ao Brasil

Lizbeth Batista

07 Julho 2011 | 09h13

Pietro Mascagni

O público brasileiro podia contar as horas para receber o famoso maestro e compositor italiano, Pietro Mascagni.

Uma nota, publicada na edição de 07 de julho de 1911, informava que ele deixava Buenos Aires a caminho do Rio de Janeiro

Depois de uma temporada triunfal nos teatros da capital argentina, onde sua ópera Isabeau foi executada pela primeira vez, Mascagni dirigia-se ao Brasil para apresentar, entre outras peças, sua mais nova obra.

Sexta-feira, 07 de julho de 1911

Nas primeiras décadas da República no Brasil as estruturas arcaicas do período colonial que lembravam a monarquia eram rejeitadas pela nova elite brasileira. O Teatro Municipal do Rio de Janeiro era o símbolo das pretensões modernas dessa elite que se queria européia, se queria francesa.

Após a conturbada década inicial da Republica, uma maior estabilidade do regime criou condições políticas para o florescimento dessa cultura urbana, elegante, espelhada na cultura Fin de siècle européia.

Com arquitetura inspirada na Ópera de Paris, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi inaugurado em 1909, palco da nossa sociedade Belle Époque era prova de nossa civilização.

Por ocasião da inauguração, Olavo Bilac disse: “O teatro não é apenas um campo aberto ao exercício das idéias literárias e da critica dos costumes. Ele é hoje, como já era nos tempos de Péricles, o lugar em que se estreitam as relações sociais, o horto moral em que se cultiva essa melindrosa planta da sociabilidade, que apenas medra em terreno de extremo trato. O teatro é, ainda hoje, o salão nobre da cidade, o seu fórum social, a arena elegante em que se travam os torneios da moda, da graça, da conversação e da cortesia. (…) É que dentro dele reside toda a vida civilizada.”

O empenho em trazer nomes reconhecidos para apresentações no Municipal denotam os anseios de colocá-lo entre os grandes templos da arte de sua época.

Os artistas previstos para a temporada não deixam dúvidas sobre esse empenho, Guity, Mauni Agulha, Weissel, a companhia Maria Guerrero e Pietro Mascagni.

Nossa Belle Époque se regozijava com a vinda de Mascagni. Ouviria antes de franceses e italianos a mais nova obra do grande maestro italiano. Nas conversas de salão a parte onde ela já fora ouvida por argentinos deve ter sido esquecida.

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista