Há cem anos, Estadão analisava crescimento industrial de São Paulo

Há cem anos, Estadão analisava crescimento industrial de São Paulo

Lizbeth Batista

20 Julho 2011 | 19h12

Quinta-feira, 20 de julho de 1911

 


Foto:
Juca Varella/AE

A edição de 20 de julho de 1911 trazia o segundo de uma série de artigos sobre a expansão industrial do Estado São Paulo, publicados pelo Estado naquele mês de julho.

..
.

Os artigos procuravam traçar um panorama do pujante crescimento fabril de SP . A publicação prometia empenho em “(…)condensar neste trabalho a maior somma de algarismos, porque elles dirão com mais eloquencia que o resultado das nossas impressões qual o valor desses formidáveis colossos que todos os dias, às primeiras horas da manhan, pelo silvo das suas machinas, chamam á communhão do trabalho os seus milhares de operários.(…)”  Mas esclareciam  que  não havia intenção de apresentar um estudo aprofundado “(…)Certo é que não temos a illusão de apresentar um trabalho estatistico completo. Para isso seria preciso que completas fossem tambémas informações que as repartições publicas possuem nos seus livros ácerca da producção no ramo industrial (…)”

 

 O Estade de S.paulo, 04/07/1911

O tom ufanista era uma constante nos artigos. O primeiro dizia que ” de todos os Estados da Republica o nosso é, incontestavelmente, o que conta no seu territorio mais numero de estabelecimentos fabriz, produzindo os mais variados productos. Isso deve ufanar e enaltecer o paulista, pois que se lança um olhar para outros Estados ,com excepção do Rio Grande do Sul, immediatamente se verificará que elles não conquistaram o rapido progresso e o desenvolvimento que collocam as industrias paulistas num plano superior.”

Nos textos, a visão empreendedora de alguns industriais de São Paulo era exaltada. Contando um pouco da trajetória de nomes como Francisco Matarazzo e Alexandre Siciliano, os artigos  traziam imagens de suas fábricas.

   

  O Estade de S.paulo, 04/07/1911 e 20/07/1911

O conde Matarazzo é chamado de “o typo completo do “self made man.”, do homem que se fez por si mesmo, à força de intelligencia, de audacia e tenacidade”. Presidente e criador das empresas Matarazzo, comandava o diversificado complexo industrial  da família que tinha “moinhos de trigo, de sal e de arroz; fiação e tecido de algodão; oleos, sabões, banha”

Alexandre Siciliano, por sua vez era “um italiano que é orgulho de nossa collectividade em São Paulo (…) que se acha à frente da mais importante companhia industrial do Brasil, fruto unico de sua audaciosa iniciativa.(…)”, esta era a “Companhia Mechanica” que  extendia “por todo o paiz o circulo vasto de suas operações; é agente de importantíssimas fabricas nacionais e estrangeiras, e mantem estreitíssimas relações commerciaes, com as mais poderosas casas similares da Europa e da America do Norte.” Era creditado à Siciliano a ideia da operação implementada pela política econômica estabelecida  pelo Convênio de Taubaté.

 

O desenvolvimento das indústrias , no interior do estado, constituiam parte significativa do impulso econômico e produtivo que tomava conta de São Paulo, nos artigos as fábricas “Votorantim” e  “Santa Rosa” em Sorocaba, eram exemplos emblemáticos deste desenvolvimento.

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista