Há um ano, chuvas arrasavam região serrana do Rio

Há um ano, chuvas arrasavam região serrana do Rio

Lizbeth Batista

13 Janeiro 2012 | 07h05

O Estado de São Paulo, 13/01/2011

Há um ano o Brasil viveu uma das maiores tragédias naturais da sua história, a pior desde 1967.

Chuvas fortes são recorrentes  no verão brasileiro, costumam atingir diversas regiões do país e trazer consigo um roteiro vergonhosamente conhecido: enchentes, deslizamentos, dezenas de mortos e feridos soterrados em montanhas de lama e destroços, centenas de desabrigados e promessas de autoridades, municipais, estaduais e federais de melhorar a infraestrutura dos locais atingidos para conter os danos deixados pelas forças da natureza.

Em janeiro de 2011, o roteiro foi o mesmo. O caráter espantoso desta tragédia, em particular, foi a sua dimensão. Um assombroso saldo de 916 mortos e 345 desaparecidos.

Sete municípios da região Serrana do Rio de Janeiro foram fortemente atingidos pelas chuvas, na madrugada do dia 12. Entre os mais atingidos estavam Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. A defesa civil decretou Estado de Calamidade Pública em toda a região.

A combinação de alguns fatores como chuvas de altíssima intensidade, instabilidade do solo – encharcado por chuvas anteriores-, existência de declives acentuados e escassez de vegetação adequada formaram uma gigantesca enxurrada que arrastou por quilômetros tudo o que encontrou pela frente. Nas encostas e nas áreas devastadas pela avalanche de lama e pedras foram destruídas favelas, residências de alto padrão, sítios e hotéis de luxo. A devastação deixada pelas águas das chuvas fez com que fosse comparada a um tsunami.  O rastro abissal de destruição, retratado nas fotos do jornal, atestavam a veracidade da comparação.

Na sua cobertura, o Estado trouxe relatos incríveis de sobreviventes, deu voz ao desespero de pessoas que diziam querer “cavar com as próprias mãos” em busca de parentes e amigos desaparecidos. Informou a sociedade civil sobre os canis de auxílio aos atingidos pela tragédia. Relatou a valorosa ajuda prestada por inúmeros voluntários e o intenso trabalho realizado pela Defesa Civil e pelos bombeiros, nas mais de duas semanas de busca,  num “resgate de corpos que parecia não ter fim“.

No seu editorial, o jornal delatou a incompetência e o descaso das autoridades responsáveis. Reconheceu a fatalidade dos fatores naturais que causaram a enxurrada, sem relevar a culpabilidade dos governantes que poderiam ter evitado uma tragédia dessas proporções,  declarou que desastres como esses só se transformam em tragédias humanas porque, com a tolerância e até o estímulo irresponsável do poder público, áreas sob risco permanente de deslizamentos são ocupadas desordenadamente.

O Estado de São Paulo, 14/01/2011

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