Itamar Franco, o estadista tropical

Itamar Franco, o estadista tropical

Lizbeth Batista

02 Julho 2011 | 11h39

O mineiro Itamar Franco, vice-presidente de Fernando Collor, assumiu a Presidência da República em meio a uma das maiores crises políticas do país e trouxe equilíbrio político após o impeachment do primeiro presidente eleito em 30 anos. Plantou as sementes para estabilidade econômica, no governo Itamar nasceu o Plano Real, responsável pela estabilização da moeda e controle da inflação.

Terminou seu governo com elevado índice de aprovação e sob forte pressão partidária para competir nas eleições. Apesar disso não entrou na corrida eleitoral, pavimentou o caminho para a campanha e eleição de FHC.

Deixou o cargo com  popularidade recorde.  Era o reconhecimento do povo brasileiro a um presidente que, mesmo não tendo sido eleito, soube dar a nação o que ela há anos ansiava.

Posse

Plano Real

x

Com seu inconfundível topete, o presidente solteirão não ocupou apenas o noticiário político. Especulações sobre sua vida amorosa surgiam a cada foto onde uma moça aparecesse ao seu lado, não foram poucas. A mais polêmica foi tirada no carnaval de 94, quando a modelo Lilian Ramos apareceu sem calcinhas ao seu lado.

Namoradas

Fusca

Após 2 anos de governo sua aprovação popular chegou à 82 %. Dizia aos amigos  deixar o cargo com sensação de dever cumprido. Num balanço de sua administração, seu relatório de final de governo, que ganhou o título de Ordem na Casa,  dizia que “este governo não recebeu uma herança, mas sim um espólio. Estabeleceu, portanto, como meta prioritária, a arrumação da casa.”

Carreira

Entrou para política na década de 50, pelo PTB.  Com o evento do bipartidarismo filia-se ao MDB. É eleito prefeito de Juiz de Fora por duas vezes. Em 1974 deixa a prefeitura para candidatar-se, com sucesso, ao Senado por Minas Gerais.

Num dos seus primeiros pronunciamentos como senador declarou que mesmo sendo do partido de oposição trabalharia alinhado ao governador de Minas Gerais “toda vez em que estiver em exame um assunto do real interesse do Estado”, mas frisou que enquanto membro oposicionista lhe cabia “a tarefa de fiscalizar o governo”. O Estado não pôde publicar as palavras de Itamar, a matéria foi censurada.  O traço de caneta vermelha mostra como o trabalho dos censores impedia a divulgação de diversas informações.

Seu hábil desempenho nas atividades parlamentares como membro da posição rende-lhe influência no partido, por dois anos foi eleito vice-líder do MDB, em 1976 e 1977.

Em 1982, com o retorno ao sistema político pluripartidaro, é reeleito senador pelo PMDB.  Participa ativamente da campanha Diretas já! , apóia a candidatura de Tancredo Neves.  Tenta candidatar-se ao governo de Minas por duas vezes, na primeira ocasião o partido não apóia sua candidatura. Contrariado deixa o PMDB e filia-se ao PL pelo qual sai candidato nas eleições de 1986, perde para o candidato do PMDB.

Retorna ao Senado, onde participa dos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte como líder do PL.

Nas eleições de 1989, aceita o convite para compor a chapa de Fernando Collor como vice-presidente, filia-se ao PRN.

Governo de Minas (1999-2003)

Itamar Embaixador

Em Portugal no Governo FHC

Na Itália no governo Lula

No início do ano, foi responsável por uma das oposições mais dura feitas ao governo federal, durante sessão em que foi aprovada a proposta de reajuste do valor do salário mínimo para R$ 545.  Na última entrevista concedida ao  Estado criticou a passividade do Senado da República e revelou-se triste por chegar ao Senado e constatar que “estamos tutelados pelo Executivo”.  Acusou a Casa de ter sido permissiva diante a violação da Constituição. E comparando o Senado das suas primeiras legislaturas e o atual disse: “A gente estava acostumado àquele ambiente difícil, mas mais aberto do que é hoje. O Senado hoje é um grupo fechado.”

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

Tratamento de imagens: José Brito

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