Jogo do bicho: problema de 120 anos

Jogo do bicho: problema de 120 anos

Anna Carolina Papp

04 Abril 2012 | 18h17

Foto: Marcia Zoet. Arquivo/AE

A relação entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira escancarou a extensão do poder de um jogo nascido há 120 anos. Surgiu como uma inocente e criativa tentativa de salvar o zoológico do Rio de Janeiro que passava por dificuldades financeiras.

Desde que deixou o zoológico, o  “Jogo dos Bichos” tomou as ruas, se tornou febre e problema. É o que mostrou Olavo Bilac, colaborador do Estado, em reportagens de 1898.

Bilac relata que o jogo estava em todos os lugares, nos armazéns, nas repartições públicas e inclusive nas escolas. Segundo ele, até professores, de dentro do colégio, faziam o papel de ‘book-maker’ e os apostadores eram os próprios alunos:

 

A Província de S. Paulo – 8/6/1898

A primeira vez que se tentou acabar com o jogo do bicho foi em 1895. A tentativa foi inútil. Depois da repressão, notou Bilac, o jogo deixa de frequentar as regiões centrais para se instalar nas áreas periféricas do Rio de Janeiro:

 

A Província de S. Paulo – 11/2/1898

De lá para cá, outras tentativas de dar cabo à jogatina aconteceram em vão. Considerado contravenção desde 1941, o jogo do bicho, e suas ramificações, é um problema sem solução há mais de um século.

 

Pesquisa e texto: Carlos Eduardo Entini, Lizbeth Batista e Rose Saconi
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