O marketing das sacolinhas de plástico

O marketing das sacolinhas de plástico

rosesaconi

03 Abril 2012 | 08h22

A partir de hoje, os supermercados do Estado de São Paulo deixam de distribuir sacolas plásticas aos clientes. No Brasil, elas estão no mercado desde o final dos anos de 1980 e vieram para substituir o saco de papel. Naquela época, a vilã de hoje, possuia vários atributos positivos, a ponto de ser vista como uma estratégia de marketing para as empresas que as adotassem.

É o que pode ser lido no anúncio publicado no Painel de Negócios do Estadão em 1/3/1988: “grandes supermercados e butiques descobriram as vantagens de aproveitar a embalagem para divulgar sua marca, uma estratégia de marketing barata e eficiente, que traz ainda o benefício de embalar com rapidez a mercadoria comprada”.

Além disso, foi introduzida como uma alternativa ao saco de lixo: “os consumidores levam para casa as sacolas com a marca da empresa, numa vida útil e prolongada pelos vários usos que delas se fazem, inclusive como saco de lixo”.

Vale ressaltar que o uso da sacola como embalagem para lixo continua sendo um argumento forte, pois desde 1972 os paulistanos são obrigados por lei a embalar o lixo em saco plástico. Antes da distribuição das sacolas pelo comércio, o cidadão era obrigado a comprar sacos de lixo.

 Anúncio publicado no suplemento Painel de Negócios do Estado de S. Paulo em 1/3/1988

 

Em 1970, sacolinhas plásticas eram ‘brindes’ para agradar e fidelizar os clientes. Anúncio da Eletroradiobrás, 1/1/1970

Sustantabilidade. O termo é atual, mas a discussão sobre a poluição do meio ambiente causada pelo plástico e por outras embalagens não é nova. Em 1973, antes mesmo dos supermercados aderirem em massa ao uso da embalagem plástica, pesquisadores e ambientalistas já argumentavam sobre o tempo prolongado para a degradação do plástico, a quantidade de embalagens geradas pela sociedade que não tinha destino e certo e pediam uma política internacional para a proteção do ambiente.

O Estado de S. Paulo, 25/3/1973

A reciclagem é também muita usada em relação ao papel nos Estados Unidos e países europeus. (…) O Brasil, ao que parece, não está nem um pouco inclinado a seguir os recentes bons exemplos dos Estados Unidos, apesar de ter montado, pelo menos nos grandes centros, os equipamentos necessários para a transformação do papel. Pode se constatar isso pelo desaparecimento de compradores e recolhedores de papel (…).”

 O Estado de S. Paulo, 27/1/1984

Pesquisa e Texto: Carlos Eduardo Entini, Edmundo Leite e Rose Saconi
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