O sonhado Paço Municipal

O sonhado Paço Municipal

Lizbeth Batista

10 Julho 2011 | 09h11

Segunda-feira, 10 de julho de 1911

A edição de 10 de julho de 1911 trazia a cobertura da solenidade que deu início às obras para construção do Paço Municipal de São Paulo. Entre os presentes na cerimônia de colocação da pedra fundamental estavam o prefeito da cidade, Raymundo Duprat e o secretário da Justiça e Segurança Pública, Washington Luis.

Mais uma das obra assinadas por Ramos de Azevedo, o novo Paço seria erguido entre as ruas Marechal Deodoro e Capitão Salomão. Próximo à Catedral, ao Fórum e do Congresso Estadual, se integraria ao complexo arquitetônico da Praça João Mendes.

A Câmara Municipal de São Paulo, que no começo da sua história realizava suas reuniões na casa de parlamentares, e durante muitos anos dividiu o mesmo prédio que a Cadeia Municipal, finalmente teria uma sede oficial

A edição do dia anterior celebrava a iniciativa do governo “Até que emfim o município de S.Paulo vae ter o seu paço, com o aspecto de nobreza que cumpre á sua historia gloriosa e á sua origem fidalga” e afirmava que o município era carente desta estrutura “ (…) razões de economia domestica explicam sempre perante o consenso geral estas apparencias de modéstia e poupança. Entretanto, somos de opinião que não póde habitar qualquer casa uma corporação administrativa; é necessário que essa qualquer casa tenha a architetura própria da sua hierarquia social; é necessário que a casa da lei tenha a soberana imponência que lhe compete.”

O projeto de um prédio próprio para ao Paço Municipal data de 1902, passaram-se sete até que a Diretoria de Obras Municipais realizasse um estudo para desapropriação de alguns quarteirões próximos à Igreja da Sé. Este projeto interligava as praças João Mendes e Praça da Sé, lá seriam erguidos além do Paço Municipal, o Congresso Estadual e a Nova Catedral, que veio substituir a  Igreja Matriz.

Mais que um edifício público, o Paço Municipal constituiria um monumento do progresso social da cidade e como tal era motivo de orgulho para povo paulistano.

Mas, logo após o início das obras do Paço, a Igreja solicita uma revisão do projeto alegando que era pequeno o espaço para a Catedral. As obras são suspensas.

O sonho de um prédio próprio, construído para atender todas as necessidades do legislativo paulistano só foi realizado em 1969, com a inauguração do Palácio Anchieta.

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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