Cão da raça pitbull é abandonado na USP e preocupa estudantes
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Cão da raça pitbull é abandonado na USP e preocupa estudantes

Funcionários e estudantes se dizem inconformados com a quantidade de cães, principalmente, vira-latas que são deixados por seus donos na região

Renata Okumura

06 Julho 2017 | 18h18

SÃO PAULO – Um pitbull foi abandonado preso a um tronco de árvore na Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, na zona oeste da capital paulista, na terça-feira, 4. Apesar da apreensão, por ser um cachorro considerado violento, estudantes e funcionários da USP se comoveram com a situação.

Pitbull é abandonado no campus da USP do Butantã, na zona oeste (Foto: Bárbara Tavares Schäfer)

“Por causa da força do animal, havia o perigo de ele quebrar o tronco e se soltar. Toda a área foi isolada. Ele passou a madrugada preso e no frio. Ele latia muita. Não passou fome e sede, porque os estudantes e os funcionários se arriscaram para dar comida e água para o animal, visivelmente aflito e cansado por causa do frio e da dor na garganta que tinha pela força que fazia para tentar se soltar. Como imaginávamos, ele conseguiu se soltar e correu pela USP criando pânico entre os estudantes. Mas o mais estranho aconteceu logo em seguida: o animal em vez de tentar fugir de vez, voltava a cada instante para o local onde fora abandonado, não sai dali por nada. E a razão é clara, permanecia ali na esperança de que seu dono voltasse para buscá-lo”, relatou Léo Holanda.

Ele também acrescenta que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) foi procurado, mas informou que não havia espaço para o animal no canil. A Polícia Militar (PM) também foi chamada, mas não compareceu. “Desta forma, alunos se mobilizaram para encontrar um lar para o ‘Pit’, como foi carinhosamente apelidado”, disse Holanda.


Preocupada com o estado de saúde do cão e riscos aos estudantes, Bárbara Tavares Schäfer postou nas redes sociais o que estava acontecendo: “Cão abandonado na USP. Está bem assustado e arisco. Precisamos de algum espaço para que não passe a noite no gelado novamente. Estamos conseguindo pôr comida e água, mas ele está exausto e tremendo de frio”.

Com relação ao pitbull, o dono de um canil se dispôs a levá-lo, mas era difícil acalmar o animal. “Quando ninguém mais sabia o que fazer, no início da madrugada desta quinta-feira, 6, uma voz gritou ‘Tchê!’, então o perigoso pitbull virou uma inofensiva ‘Lessi’, pulou para cima de uma garota no gramado da universidade, lambendo-a com tanta alegria que emocionou a todos. Não havia dúvidas: era a sua dona de volta”, descreveu Holanda.

Acompanhe o momento no vídeo abaixo:

“Segundo relato da própria dona, o cachorro tinha sido doado para uma pessoa e essa pessoa o teria abandonado na USP. Ela soube do abandono pelas redes sociais. Mas não disse quem o abandonou. Ela levou o cachorro, mas será que está bem?”, questionou Holanda.

Bárbara Tavares Schäfer reforça que a dona disse que doou o pitbull porque tem outro cão idoso e estavam brigando. Assim como em diversos bairros da capital paulista, segundo ela, muitos animais domésticos também são abandonados diariamente na USP. “Esta é uma prática comum e lamentável. Muitos cães, principalmente, vira-latas são abandonados na USP”, lamentou.

Uma moradora que preferiu não se identificar reforçou: “Embora seja proibido abandonar animais nas ruas, a penalidade é muito branda o que não inibe a crueldade. Também defendo ações de conscientização”.

O CCZ de São Paulo informa que o recolhimento de animais abandonados, perdidos ou machucados não está entre as atribuições do órgão, cuja função é prevenir e controlar as zoonoses, como a raiva, desenvolvendo sistemas de vigilâncias sanitária, epidemiológica e ambiental em saúde. “O recolhimento de animais pelo CCZ ocorre nos termos do art. 7º da lei municipal nº 15.023, de maneira seletiva, e somente podendo ser efetuado ‘nos casos de agressão, invasão comprovada a instituições públicas ou locais em situação de risco, bem como nos casos de animais em estado de sofrimento’, o que não se enquadra neste caso”, reforçou a nota.

O órgão orientou o solicitante a fazer um boletim de ocorrência (BO) junto à delegacia de proteção aos animais.

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