Comerciantes do centro estão receosos com a presença de usuários de drogas
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Comerciantes do centro estão receosos com a presença de usuários de drogas

No fim de junho, dependentes químicos saíram da Praça Princesa Isabel, no centro da cidade, e retornaram à região conhecida como Cracolândia

Renata Okumura

18 Julho 2017 | 18h21

SÃO PAULO – Comerciantes da Alameda Cleveland, no bairro Campos Elíseos, no centro da cidade, estão receosos com a presença cada vez maior de usuários de drogas na região. Em maio, após operação da Prefeitura com o Governo Estadual, muitos dependentes químicos seguiram para a Praça Princesa Isabel, também na região. Passado um mês, eles começaram a retornar a região conhecida como Cracolândia.

Consumo de crack na Alameda Cleveland (Foto: Renata Okumura)


A reportagem da Blitz Estadão esteve na região e constatou que muitos dependentes consomem crack nas calçadas, mesmo com a presença de policiais na região. Beatriz, que preferiu  não dar o sobrenome, acrescenta que moradores e comerciantes enfrentam dificuldades com a situação que se agrava a cada dia. “A Cracolândia está migrando para a Alameda Cleveland.  Enfrentamos problemas com relação à segurança, à sujeira, aos transtornos com barulho”, relatou.

Dependentes químicos consumindo drogas na Alameda Cleveland (Foto: Renata Okumura)

Um morador, que também não quis se identificar, pediu providências imediatas. “É questão de segurança e saúde pública, não podemos conviver com os dependentes químicos. Já fui assaltado na região. Muitos ficam também nos semáforos para abordar motoristas”, reclamou.

Acompanhe vídeo a seguir:

Posicionamento. Equipes da assistência social da Prefeitura de São Paulo realizaram, desde o dia 21 de maio, 74.168 abordagens de rua e atendimentos nas unidades emergenciais de acolhimento – ATENDE 1, 2 e 3. Deste total, foram 39.054 atendimentos nas ATENDEs, 28.046 abordagens com encaminhamento socioassistencial e 7.068 recusas por atendimento.

“A primeira unidade ATENDE passou a operar no dia 8 de junho na Rua General Couto de Magalhães, região central. A estrutura oferece espaços de descanso, banheiros e refeitório. A unidade já contabilizou 27.096 atendimentos, com 3.835 banhos, 3.675 pernoites, 4.115 cafés, 11.246 almoços, 4.087 jantares, 37 lanches e 101 cortes de cabelo. A unidade ATENDE 2, que começou a funcionar no dia 29 de junho na Praça Júlio Prestes, ofereceu 10.666 atendimentos. Neste local, foram oferecidos 2.757 cafés da manhã, 1.670 almoços, 2.401 jantares e 20 lanches. A unidade também registrou 1.403 banhos, 2.277 pernoites, 18 cortes de cabelo e 120 adesões nas oficinas. Já na unidade ATENDE 3, que começou a atender na quinta-feira, 13, na Rua General Rondon, foram realizados 1.292 atendimentos com 235 cafés, 244 almoços, 298 jantares, 212 banhos e 303 pernoites. Profissionais da Secretaria da Saúde realizaram até domingo, 16, mais de 13.800 atendimentos na região da Luz. O número de internações voluntárias feitas pela Prefeitura chega a 995. Dentro do CAPS Redenção, unidade que começou a funcionar em 26 de maio, com dois psiquiatras de plantão 24 horas, 1.267 pacientes foram atendidos desde o início do funcionamento”, esclareceu a nota.

Polícia monitora Alameda Cleveland, onde estão concentrados usuários de drogas (Foto: Renata Okumura)

Segurança. O monitoramento da Secretaria Municipal de Segurança Urbana na região é feito com o auxílio das câmeras, uma base comunitária, dois ônibus de vigilância e um drone, que sobrevoa a região três vezes por dia. Na segunda-feira, 17, 17 viaturas da Guarda Civil Metropolitana (GCM) estavam na região, com 115 guardas. “A Secretaria Municipal de Segurança Urbana esclarece que a diretriz para ações da Guarda Civil Metropolitana é dada estritamente de acordo com o Estatuto Geral das Guardas Municipais, Lei 13.022/2014. Na região da Luz, a GCM realiza o apoio e a proteção aos agentes da prefeitura nas ações do projeto Redenção”, destacou o posicionamento.

Zeladoria. As equipes da Prefeitura Regional da Sé fazem duas vezes por dia a limpeza na região da Luz. Desde o dia 21 de maio até domingo, já foram recolhidas 203,9 toneladas de resíduos na região.

Relembre. No dia 21 de maio, a Prefeitura e o Governo de São Paulo realizaram ação em busca de traficantes na região conhecida como Cracolândia. No dia da megaoperação policial, 53 pessoas foram presas. Dois dias depois, demolições de edifícios no bairro da Luz deixaram três pessoas feridas. Na época, a Prefeitura de São Paulo pediu autorização ao Tribunal de Justiça para que fossem autorizadas as internações compulsórias. Os usuários de drogas seriam encaminhados para casas de recuperação por meio do projeto ‘Recomeço’, que atua no combate à dependência química. No entanto, a Justiça proibiu a prefeitura de remover à força as pessoas da região da Cracolândia. Em caso de descumprimento, a multa aplicada será de R$ 10 mil por dia.

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