Comerciantes e moradores cobram solução eficaz contra minicracolândias
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Comerciantes e moradores cobram solução eficaz contra minicracolândias

Renata Okumura

24 Maio 2017 | 19h15

SÃO PAULO – Até mesmo durante a luz do dia é possível encontrar usuários de drogas consumindo crack na região central da cidade. O morador Luiz, que preferiu não dar o sobrenome está preocupado com a situação observada na Rua Brigadeiro Tobias na esquina com a Rua Mauá, na região da Luz, zona norte da cidade.

Cruzamento da Rua Brigadeiro Tobias com a Rua Mauá (Foto: Renata Okumura)

“Embaixo da passarela de pedestre da rua das Noivas, em frente ao metrô Luz, usuários de drogas e moradores de rua tomam conta do local. Eles assaltam a população. É uma vergonha para a cidade. Nas proximidades temos a Pinacoteca e o Jardim da Luz”, desabafou.

Usuários de drogas na Rua Mituto Mizumoto, travessa da Rua São Paulo, na Liberdade (Foto: Renata Okumura)

A reportagem da ‘Blitz Estadão’ também ouviu moradores da Liberdade, região central da capital paulista. O cenário não é diferente por lá. “Desde a última operação na Cracolândia na gestão Kassab, a Rua São Paulo, no bairro da Liberdade ganhou uma Cracolândia. Os moradores da região são reféns dos viciados que tomaram conta da rua”, descreveu um morador que preferiu manter o anonimato.

Presença de usuários de drogas na Rua Mituto Mizumoto é maior à noite (Foto: Leitor)

Um comerciante, que também não quis se identificar, relatou que é difícil manter o convívio pacífico nas proximidades da Rua Mituto Mizumoto. “Eu trabalho em empresa de reciclagem, se a gente se nega a comprar o papelão que o usuário de drogas traz, ele diz que vai roubar para ter dinheiro. A Prefeitura deveria internar todos os usuários e depois ajudar na ressocialização”, cobrou. Comerciantes também informam que são obrigados a fechar os estabelecimentos mais cedo com o risco maior de assaltos e invasões.

Policiamento reforçado nas proximidades do Terminal Princesa Isabel (Foto: Renata Okumura)

A aposentada Rosa Cecília caminhava com dificuldade, na manhã desta quarta-feira, 24, pela Avenida Rio Branco, nas proximidades do Terminal de Ônibus Princesa Isabel, no bairro Campos Elíseos, no centro da cidade. “É difícil e dá medo de sair. Eu moro aqui perto e costumo passar por aqui. Eu já vi jovens usando drogas”, disse.

Usuários de drogas nas proximidades do Terminal de Ônibus Princesa Isabel (Foto: Renata Okumura)

Ação. Desde o último domingo, 21, a Prefeitura e o Governo de São Paulo realizam ação em busca de traficantes na região conhecida como Cracolândia. No dia da megaoperação policial, 53 pessoas foram presas.

Na última terça-feira, 23, demolições de edifícios no bairro da Luz deixaram três pessoas feridas.

A Prefeitura de São Paulo pediu autorização ao Tribunal de Justiça para que sejam autorizadas as internações compulsórias. Os usuários de drogas seriam encaminhados para casas de recuperação por meio do projeto ‘Recomeço’, que atua no combate à dependência química. No entanto, nesta quarta-feira, a Justiça proibiu a prefeitura de remover à força as pessoas da região da Cracolândia. Em caso de descumprimento, a multa aplicada será de R$ 10 mil por dia.

A prefeitura também esclarece que profissionais da rede municipal de saúde atuam desde o último domingo para acolher e prestar o atendimento necessário aos dependentes químicos e pessoas em situação de rua. “Das onze equipes do Consultório de Rua que atuam no centro, nove ficaram concentradas no local em uma ação que contou com o apoio de aproximadamente 80 profissionais de saúde, entre agentes comunitários, enfermeiros e médicos”, ressaltou.

No próximo sábado, 27, a Nova Luz irá receber um container do Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) para intensificar o atendimento na região. “O equipamento, com capacidade para atender diariamente 80 pessoas, terá duas salas de acolhimento (uma feminina e uma masculina) e dois consultórios. Após passar por avaliação, os pacientes serão encaminhados para outros serviços da rede, de acordo com seu quadro de saúde”, esclareceu.

A nota também informa que as equipes de zeladoria da Prefeitura de São Paulo recolheram cerca de 70 toneladas de lixo das ruas da região da Nova Luz após a megaoperação policial realizada, no último domingo.

Nesta quarta-feira, manifestantes do coletivo ‘Craco Resiste’ fizeram protesto no momento em que o prefeito João Dória e o governador Geraldo Alckmin estavam na região central da cidade e chamaram os dois de “higienista e fascista”.

A reportagem também aguarda o posicionamento da Polícia Militar de São Paulo sobre os registros de insegurança no bairro da Liberdade e do bairro Campos Elíseos.

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