SP tem quase 4 mil pontos de descarte irregular de lixo
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SP tem quase 4 mil pontos de descarte irregular de lixo

Entulho é despejado principalmente em bairros das prefeituras regionais da Sé, Itaim Paulista, São Mateus e Pirituba

Renata Okumura

17 Julho 2017 | 16h46

SÃO PAULO – Acabar com o descarte irregular de lixo em ruas, avenidas e terrenos baldios é um dos principais desafios da capital paulista. A mesma situação é observada em todas as regiões do município. Embaixo da Ponte do Jaguaré, na zona oeste, é comum encontrar lixo e restos de móveis.

Descarte irregular de lixo embaixo da ponte do Jaguaré (Foto: Renata Okumura)


Na esquina da Rua José Dias da Costa com a Rua Ernest Renan, no Morumbi, na zona sul, o morador Maxwell Lopes também reclama do acúmulo de lixo “Moro em um condomínio da região e há muito entulho no bairro”, relatou.

No centro da cidade, um dos pontos de descarte irregular fica na Rua Doutor Tomás de Lima. “É preciso investir em ações de conscientização para que as pessoas não joguem lixo em qualquer lugar. Além do risco de doenças e cheiro forte, há risco de enchente, já que o lixo pode entupir os canos”, defendeu a comerciante Elda Ferreira.

Entulho no canteiro central da Avenida Deputado Dr. José Aristodemo Pinotti, perto da Rua Cravari (Foto: Ricardo Ferreira – motorista da Blitz Estadão)

A situação que mais chamou a atenção da reportagem está localizada na Avenida Deputado Doutor José Aristodemo Pinotti nas proximidades da Rua Cravari, no Parque Residencial D’Abril, na zona leste, já que o lixo foi descartado há menos de 500 metros de uma Estação de Entrega Voluntária de Inservíveis (Ecoponto).

Lixo acumulado em canteiro central da Avenida Águia de Haia, desde o metrô Arthur Alvim até o Terminal A.E. Carvalho (Foto: Renata Okumura)

Ainda na zona leste, o canteiro central da Avenida Águia de Haia, no bairro A.E. Carvalho, tornou-se um ponto vicioso. Além de lixo, restos de móveis e roupas são despejados todos os dias no local. A moradora Rose Cristina lamenta o excesso de lixo nas ruas e ressalta que faz sua parte. “Toda segunda-feira de manhã, passa o caminhão de coleta seletiva no bairro. Com direito a trilha sonora que fala sobre a importância da reciclagem, mas infelizmente são poucos os moradores que separam o lixo corretamente”, lamentou.

Entulho na Avenida João Paulo l, na altura do número 838, na Freguesia do Ó (Foto: Ricardo Ferreira – motorista da Blitz Estadão)

Além da zona leste, a norte está entre as regiões que mais tem pontos de descarte irregular. Por lá, a reportagem constatou restos de comida, material de construção e colchões em cima de uma calçada na Rua Armando Augusto Lopes, na Vila Penteado, o que impede a passagem de pedestres e também há entulho na Avenida João Paulo l, na altura do número 838, na Freguesia do Ó.

Denúncia. O leitor Anselmo Serafim informa que a situação de descarte irregular pode ser constatada em São Miguel Paulista, na zona leste. “Moradores das Vilas Nair, Lapena, Gabi e União, que ficam para baixo da linha férrea, enfrentam uma alta complexidade de vulnerabilidade social, o lixo se propaga há muitos anos nesse locais, principalmente nessa área que fica embaixo do viaduto onde passa a Avenida Jacuí. A prefeitura retira o entulho, mas a população necessita de orientação e colaboração de uma ação para que todos venham a se conscientizar da importância da questão ambiental. A falta de educação vem agravando essa situação”, relatou Serafim.

A Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (AMLURB) acrescenta que ao longo de 2016 foram identificados 3.764 pontos de descarte irregular, sendo a maior parte deles nas prefeituras regionais da Sé, Itaim Paulista, São Mateus e Pirituba/Jaguará.

Com o objetivo de eliminar esses pontos e garantir o destino correto dos resíduos da construção civil (entulho), uma das ferramentas que a Prefeitura dispõe é o Controle de Transporte de Resíduos (CTR) Eletrônico. “Além do cadastro em dia na AMLURB, os transportadores devem emitir uma guia eletrônica ao estacionar a caçamba para a coleta do entulho, informando o gerador e, ao transportar o resíduo, o local para o qual se destina, onde será fechada essa guia. Isso permite, além de conhecer a origem e o destino final do entulho, reduzir o número de descartes irregulares pela cidade”, reforçou a nota.

Desde que o CTR Eletrônico passou a ser obrigatório, em 15 de abril de 2017, o número de guias emitidas subiu de 50 para uma média de 3 mil ao dia. O volume de resíduos nos aterros e áreas de transbordo e triagem também aumentou, saltando de 32 mil toneladas para mais de 700 mil toneladas por mês.

Além disso, o entulho pode ser descartado em um dos 98 Ecopontos espalhados pela cidade. No entanto, o volume por pessoa é limitado a 1m3 ao dia (o equivalente a uma caixa d’água de mil litros). “Para os resíduos recicláveis, os munícipes contam com a coleta seletiva, que é realizada tanto pelas duas concessionárias – Loga e EcoUrbis – quanto pelas cooperativas e associações de catadores cadastradas na AMLURB. Todos os 96 distritos da cidade estão cobertos pela coleta seletiva”, garantiu.

Os Ecopontos funcionam de segunda a sábado, das 6h às 22h, e aos domingos e feriados, das 6h às 18h. Para mais informações sobre coleta seletiva ligue para o telefone 0800-7777 156 ou acesse o site.

Quer compartilhar alguma reclamação em seu bairro? Mande seu relato por WhatsApp (11) 9-7069-8639 ou para o email blitzestadao@estadao.com.

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