Após incêndio, Portela é recebida com entusiasmo

Estadão

07 Março 2011 | 01h56

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Primeira escola prejudicada pelo incêndio na Cidade do Samba a desfilar na Sapucaí, a Portela foi recebida por uma platéia entusiasmada. A bateria da azul e branca devolveu a gentileza com uma apresentação emocionante, que contou com uma paradinha coreografada.

Mas, quem esperava um defile cheio de garra dos integrantes da Portela se decepcionou. O restante da escola fez uma apresentação apática, com mais pontos baixos do que altos. A presença da Velha Guarda da Portela a frente foi ofuscada pelo tumulto causado pela participação do jogador Ronaldinho Gaúcho. A truculência dos seguranças em volta do atleta do Flamengo chegou a assustar até o próprio Ronaldinho, que pediu calma. Mas, o apelo não surtiu efeito e o jogador decidiu sambar sem ligar para o tumulto a sua volta.

Com a sua tradicional elegância, o cantor e compositor Paulinho da Viola minimizou os possíveis estragos que a participação de Ronaldinho trouxe à apresentação da Portela. “Ele é um ídolo. A gente já esperava por isso. Como veio na frente da escola acho que não atrapalhou”, afirmou.


O ponto alto do show ficou a cargo da bateria comandada pelo mestre Nilo Sérgio. Os 300 ritmistas, que perderam parte da fantasia no incêndio do barracão, homenagearam a garra da escola com uma nova coreografia, que representava a morte e o renascimento da Portela. Os ritmistas se agachavam, colocavam os instrumentos no chão, ficavam em silêncio por alguns segundos e depois voltavam com força total.

Além da bateria, as passistas mirim da azul e branca de Madureira também arrancaram aplausos da platéia nas arquibancas, com uma apresentação emocionante. Com a ajuda da Prefeitura do Rio, a Portela contou o enredo sobre o fascínio do mar, retratando desde a navegação até a mitolgia. (Cristiane Madeu)

Confira o samba-enredo da Portela:

Rio, Azul da cor do Mar

Brilhou no céu

A luz da Águia, a estrela-guia

Do coração navegador

Que na travessia enfrentou

Todo o medo que havia

Era a mitologia do mar

A lenda deu lugar para a certeza

Que pra viver é preciso navegar

As galés do Oriente?já vêm!

Da Fenícia e do Egito? também!

Gregos e romanos partem para conquistar

e o Farol de Alexandria fez a noite clarear

Os mistérios vão desvendar

Um novo caminho encontrar

Lá na Índia, especiarias

Leva-e-traz mercadorias

A ambição do europeu se encantou

Com o Novo Mundo de riqueza natural, sem igual

Os navios negreiros

Deixam seus lamentos pelo ar

Nas águas de Yemanjá

Nem pirata aventureiro, nem o rei podem mandar

Oi leva mar, oi leva

Leva a jangada numa nova direção

O Porto centenário abriu seus braços

Na terra de São Sebastião

Portela vai buscar no horizonte

A eterna fonte de inspiração

Um oceano de amor que virou arte

E deságua na imaginação

Lindo como o mar azul

Meu grande amor, minha Portela

A força do seu pavilhão vai me levar

A navegar

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