Galo da Madrugada toma conta do Recife

Estadão

05 Março 2011 | 10h41

Chico Porto/JC Imagens

RECIFE – O maior bloco do planeta, o Galo da Madrugada, iniciou seu 34.º desfile, pontualmente, às nove horas deste sábado, na Praça Sérgio Loreto, no bairro de São José, no Recife, sob a ameaça de vir a perder o título concedido em 1995 pelo Guiness Book como a agremiação que mais reúne foliões. Pela primeira vez, o presidente da agremiação, Rômulo Menezes, admitiu que pode perder o reinado. O rival é o carioca Cordão do Bola Preta, fundado em 1918, que está crescendo e no carnaval passado levou mais de um milhão de pessoas às ruas.

“Ninguém nasceu para ser eterno”, afirmou Menezes, lembrando que o Galo faz escola e tem estimulado o carnaval de rua em outros Estados do País. “Espero que eles façam um bom carnaval de rua como nós fazemos”. A expectativa, no início do desfile, era de levar 1,6 milhão de pessoas às ruas, quebrando o próprio recorde de 1,5 milhão. “Mas a gente não pode garantir”, observou ele. Sem demonstrar preocupação com a rivalidade, ele lembrou que a população da região metropolitana do Recife é menor que a do Rio de Janeiro.


DANIELA MERCURY. Depois de ter seu nome divulgado como uma das atrações a animar o povo nos trios elétricos que iriam animar o Galo até o início da noite, a baiana Daniela Mercury informou, algumas horas antes da saída da agremiação que não poderia comparecer. Através da sua assessoria explicou que sua agenda não permitiria participar do Galo e da estreia do carnaval de Salvador.

“As irresponsabilidades de fora a gente deixa para lá”, reagiu Rômulo Menezes. “Ela não vai fazer a menor falta”. Ele destacou que o Galo é feito do frevo, do maracatu, do caboclinho e das manifestações culturais pernambucanas, e suas estrelas são os artistas regionais.

Com 26 trios elétricos e quatro carros alegóricos, o Galo teve como tema o frevo de Luiz Bandeira “Voltei Recife”, em homenagem aos pernambucanos que moram fora e retornam para brincar o carnaval. “Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço, quero ver novamente “Vassoura” na rua abafando, tomar umas e outras e cair no passo”, diz uma das estrofes.

Fundado em 1978 pelo carnavalesco Enéas Freire, já falecido, o Galo arrastou 75 pessoas quando ganhou as ruas pela primeira vez. Numa época em que as festas de clubes sociais dominavam o carnaval, a ideia era a de reviver os antigos carnavais populares, que tinha no povo sua maior expressão. Saiu cedo, às cinco horas da manhã, para permitir que quem trabalhasse no comércio pudesse participar.

O crescimento veloz o transformou, mas o bloco mantém suas referências. Daí a homenagem, em um dos trios, a compositores de frevos que marcam a história e cultura pernambucanas: Antonio Maria, Luiz Bandeira, Nélson Ferreira, João Santiago, Capiba, J. Michiles, Getúlio Cavalcanti, Matias da Rocha, Duda, Zé Menezes, Edgar Moraes. O desfile do Galo se estende por cinco quilômetros distribuídos em nove ruas da área central do Recife.  (Angela Lacerda)

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