Imperatriz traz boa melodia e Luiza Brunet é destaque

Estadão

07 Março 2011 | 00h14

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Clarissa Thomé, de O Estado de S.Paulo

O carnavalesco Max Lopes havia prometido despojar a Imperatriz Leopoldinense de todo “luxo excessivo”. Tirou pedrarias, plumas, marcas de sua antecessora Rosa Magalhães. Deixou a escola de Ramos leve, colorida e bem humorada no enredo “A Imperatriz adverte: sambar faz bem à saúde”, sobre a medicina.

Apesar de falar de temas pesados – epidemias, gripe suína, gripe aviária -, conseguiu fazê-lo de forma descontraída. “Não há tema pesado para quem já transformou em carnaval os 10 mandamentos. Esse é o desafio – carnavalizar o que não pode se espera”, afirmou.


Segunda escola a desfilar, a agremiação teve a seu favor um samba melódico, cadenciado, bem recebido pelo público. O intérprete do samba-enredo da agremiação, Dominguinhos do Estácio, pegou chuva ontem durante todo o desfile da Unidos do Viradouro (grupo de acesso A), mas ainda assim garantiu que sua voz não estava abalada.

“A mudança de tempo e a chuva não abalam minha voz. Voz de negão é assim mesmo”, brincou o cantor, que passou 11 anos puxando o samba da Viradouro e por isso não cogitou faltar ao desfile de sábado, nem mesmo para se poupar para hoje.

A apresentação da Imperatriz provocou impacto pela beleza das fantasias e alegorias, num contraste com a falta de criatividade da São Clemente.

Luiza Brunet, no seu 27.º carnaval na Sapucaí, esbanjou beleza na sua fantasia que simbolizava a pedra filosofal. Negou que seja a sua despedida. “De samba e carnaval a gente não se despede nunca”, afirmou. Mas confessou que gostaria de fazer da filha, a modelo Yasmim, sua sucessora.

Luiza veio à frente de uma bateria de “alquimistas”. O mestre Marcone – que fumava um charuto, antes do desfile, para espantar maus olhados – tentou inovar, incorporando berimbaus à bateria. O som dos instrumentos foi abafado pela bateria.

No primeiro carnaval depois que a região de Ramos foi ocupada para receber uma Unidade de Polícia Pacificadora, o intérprete Dominguinhos do Estácio cantou os versos “liberdade, liberdade / abre as asas sobre nós/ que a voz da igualdade / seja sempre a nossa voz”. “A paz mudou a comunidade. Nosso povo vem mais feliz para a avenida”, afirmou o cantor Elymar Santos, destaque da escola, onde sai há 25 anos. (Com Roberta Pennafort)

Confira o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense:

Um ritual de magia…
Oh! Mãe África,
Do teu ventre nascia o poder de curar!
Despertam as antigas civilizações,
A cura pela fé nas orações!
Mistérios da vida, o homem a desvendar…
A mão da ciência ensina:
O mundo não pode parar!

Uma viagem no tempo… a me levar!
O valor do pensamento a me guiar!
O toque do artista no Renascimento,
Surge um novo jeito de pensar!

Luz – Semeando a ciência,
A razão na essência, o dever de cuidar!
Luz – A medida que avança,
Uma nova esperança que nos leva a sonhar!
Segredo – A “Chave da Vida”,
Perfeição esculpida, iludindo o olhar…
Onde a medicina vai chegar?
No carnaval, uma injeção de alegria,
Dividida em doses de amor,
É a minha escola a me chamar, doutor!
Posso ouvir no som da bateria,
O remédio pra curar a minha dor!

Eu quero é sambar!
A cura do corpo e da alma no samba está!
Sou Imperatriz, sou raiz e não posso negar:
Se alguém me decifrar
É verde e branco meu DNA!