Mercado informal de abadás atrai multidão à orla de Salvador

Estadão

05 Março 2011 | 13h48

SALVADOR – “Tenho Nana para hoje, tenho Nana para hoje”, grita o taxista Rodrigo Ronaldo dos Santos, de 32 anos, como se estivesse em uma feira livre, tentando atrair, no meio da multidão, compradores para o par de abadás – as camisetas-ingresso da folia de Salvador – que havia acabado de adquirir do casal Ana Cristina e Paulo Mattos.

Eles desistiram do camarote para acompanhar amigos em um bloco. Venderam a Santos, por R$ 800, as entradas pelas quais tinham pagado R$ 1.100 (as duas). Não demorou para que Santos conseguisse comercializar os abadás para o concorrido espaço – menos de dez minutos depois, outro casal pagou R$ 1.000 pelas camisetas. Mais ou menos ao mesmo tempo, o casal Mattos encontrou um vendedor que tinha os ingressos para o bloco que eles queriam, comandado por Claudia Leitte. Pagaram R$ 500 nos dois.

“Nesse tipo de negociação, fica bom para todo mundo”, avalia o taxista, que busca complementar a renda, nesta época do ano, com a comercialização informal de abadás, no intervalo entre as corridas agendadas por turistas. “O casalzinho não teve prejuízo, o outro comprou por menos do que o preço oficial e eu fiz um dinheirinho. Tudo tranquilo e rápido, com segurança.”


Poder, não poderia, mas o feirão do chamado mercado informal de abadás de Salvador funciona a todo vapor, diariamente, durante o carnaval, e não para de crescer. Ano a ano, mais cambistas – e mais compradores – tentam negociar as valiosas entradas para blocos e camarotes.

Por dia, passam pelo local cerca de 2 mil vendedores e 10 mil clientes. Ali, banquinhas, tendas e até porta-malas de carros viram vitrines, enquanto ambulantes gritam, sacudindo freneticamente os braços, onde os abadás ficam pendurados.
Comerciantes de produtos complementares, como sandálias e mochilas térmicas (para levar bebidas), também se aproveitam do grande fluxo de foliões, bem como costureiras, que mantêm no local tendas para a chamada “customização” de abadás – serviço que custa entre R$ 10 e R$ 50, dependendo do modelo escolhido pelo cliente.

Nesta temporada, as bancas estão instaladas no Parque Atlântico, uma área pública da praia da Boca do Rio, vizinha do estacionamento do Shopping Aeroclube, antigo ponto do feirão. A direção do centro comercial decidiu proibir a comercialização no local por considerar que a movimentação aumentava a insegurança na região e prejudicava a imagem do estabelecimento.

Policiais margeiam a área, mas sem reprimir o comércio. De acordo com eles, que preferem não se identificar, a principal preocupação, na região, é com a possibilidade de assaltos. “Abadás são produtos muito visados nesta época do ano”, diz um deles, sargento da PM. “Além disso, as negociações são feitas em dinheiro – e muito dinheiro junto atrai ladrão.”

Quem também faz vista grossa na região são os agentes da Superintendência de Trânsito e Transporte do Salvador (Transalvador). Pela região, carros de clientes estacionam em plena avenida e sobre as calçadas, causando grande confusão no trânsito.  (Tiago Décimo)

–> Ainda em Salvador: Grávida, Eliana puxa bloco

Grávida de três meses do primeiro filho, a cantora e apresentadora Eliana puxou, na manhã de hoje, o bloco infantil Happy, pelo Circuito Dodô (Barra-Ondina). Foi a oitava vez consecutiva que ela comandou a festa, para cerca de mil pessoas dentro do bloco. “Desta vez é diferente, estou mais feliz, porque estou sentindo esse amor de mãe”, comentou. (T.D.)

Mais conteúdo sobre:

Salvador