Primeira noite do Anhembi tem teatro, música erudita e sindicalismo

Estadão

05 Março 2011 | 10h31

Apesar da garoa fina e dos 18ºC que gelavam o Sambódromo, precisamente às 23h30 de sexta-feira, 4, uma mulata estonteante, praticamente nua, entrou na avenida dançando e sorrindo. A passista era um dos destaques da Unidos da Peruche, que abriu o desfile do Grupo Especial do carnaval paulistano com enredo em homenagem ao centenário do Teatro Municipal. O samba “Abram-se As Cortinas! O Espetáculo Vai Começar” tinha um “refrão-chiclete” que empolgou a plateia e os integrantes mostravam-se afinados, mas dois carros alegóricos quebraram e não conseguiram entrar na avenida – o que deve significar perda de pontos.

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Logo depois veio a Tom Maior, com “Salve Salve São Bernardo, Pedaço do Meu Brasil”, em homenagem à cidade da região metropolitana de São Paulo, berço do sindicalismo. A escola reservou um espaço no último carro alegórico para o ex-presidente Lula e sua mulher, Marisa Letícia, mas o casal declinou do convite. Também causou polêmica o projeto de levar uma suçuarana, uma jaguatirica e uma iguana à passarela – o Ministério Público não gostou e a escola teve que voltar atrás, sob ameaça de pagar multa de R$ 10 mil.

A Acadêmicos do Tucuruvi entrou em seguida com um tributo aos migrantes nordestinos em São Paulo, com “Oxente, O Que Seria da Gente sem Essa Gente?”. Antes do samba, porém, mestre Adamastor pegou no microfone e fez um discurso veemente contra o preconceito, revelando que a escola recebeu ameaças nos últimos dias. “Ainda há muitas pessoas preconceituosas no nosso País. Desde que escolhemos esse tema, recebemos várias ameaças de retaliação. Mas somos sambistas, somos valentes!”, disse.

A quarta escola a entrar na avenida foi a Rosas de Ouro, que completou 40 anos de história com o enredo “Abre-te Sésamo, a Senha da Sorte”, representando a sorte em diversas culturas e épocas. As fantasias luxuosas e belas maquiagens usadas pela agremiação – grande vencedora em 2010 – roubaram elogios do público. Do alto dos carros alegóricos eram atirados serpentinas, chuvas de prata, fogos de artifício e até biscoitos da sorte aos foliões.

Os sinalizadores de fumaça verde que surgiram logo depois na plateia revelavam o DNA de torcida organizada da quinta escola que chegava – a Mancha Verde. O enredo “Uma Ideia de Gênio” trouxe ao sambódromo as criações de Leonardo da Vinci e Thomas Edison, além de uma ala representando a invenção do cinema.

Por volta das 6 horas, quando já era dia no Sambódromo, entrou a Vai-Vai, homenageando o grande pianista e maestro João Carlos Martins – um ponto de contato entre o erudito ao popular. A plateia, que já demonstrava cansaço, levantou em peso para aplaudir e cantar o samba-enredo “A Música Venceu”. Na bateria, um detalhe cromático: todos usavam perucas crespas e negras, à exceção de um senhor com cabeleira lisa e branca no meio – o próprio maestro, sorridente.

Muitas pessoas aproveitaram o fim do desfile da Vai-Vai para ir embora, e quando a Pérola Negra – última escola do dia – entrou, a arquibancada já estava vazia. A escola trouxe o enredo bíblico “”Abraão – o Patriarca da Fé” e, em respeito ao tema, não desfilou com passistas nus. Às 8h30, a última ala passou na avenida. Seguida pela “Rainha dos Garis”, que roubava aplausos sambando com aqueles que varriam a passarela. (Bruno Lupion)

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