Sentimento de superação, Beija-Flor e Salgueiro se destacam na 2ª noite

Estadão

08 Março 2011 | 09h19

Fotos: Wilton Júnior, Tasso Marcelo e Marcos de Paula/AE

Sob chuva, o último dia de desfiles deu destaque para o sentimento de superação após o incêndio que atingiu parte da Cidade do Samba e destruiu fantasias e alegorias de duas escolas da noite: União da Ilha e Grande Rio. Na passarela, por onde passaram mais quatro agremiações, chamaram atenção a Salgueiro, pelo desfile luxuoso, apesar do atraso em deixar a Marquês de Sapucaí, e Beija-Flor, que homenageou ninguém menos que o rei Roberto Carlos.

A primeira a entrar na passarela do samba, por volta das 21h, a União da Ilha surpreendeu quem esperava um desfile com integrantes abatidos pela tragédia ocorrida há cerca de um mês. Com enredo sobre Charles Darwin e seu principal trabalho – a Teoria da Evolução -, a escola aproveitou o aniversário de 58 anos para celebrar a própria trajetória. Muitos adereços foram substituídos por trajes mais simples, mas nem por isso menos criativos.

Já a Salgueiro entrou com tudo. Com um show luxuoso e criativo, a agremiação viu sua passagem se transformar num drama: problemas em carros alegóricos fizeram a vermelho e branco segurar o passo para não criar buracos e atrasar a saída em dez minutos, o que gera perda na pontuação por penalidade. O drama tirou todo o destaque para o que a escola tinha de melhor: uma bela apresentação sobre o cinema, como ponto alto as referências ao nacional Madame Satã.

Mocidade Independente de Padre Miguel foi para o campo buscar inspiração para falar sobre agricultura. Num desfile correto, a escola teve algumas dificuldades para evoluir por causa do tamanho dos carros alegóricos, além de um princípio de incêndio em uma das alegorias, o que causou um buraco bem em frente a uma das torres de jurados. Elementos da natureza e crenças davam destaque numa epítome da vida: faunos na bateria, forças naturais espalhados pela avenida, sementes, animais e verde.

Outra das “vítimas” do fogo, a Grande Rio lavou a alma sob a chuva na Sapucaí. Com integrantes mais soltos já que nenhuma das afetadas pelo incêndio serão julgadas, o desfile da escola foi dominado pela paixão. Todas as alegorias e fantasias foram recuperadas, mesmo que em versões mais simples, mas tão belas quanto as alas comerciais que eram feitas fora da Cidade do Samba. E foi a paixão que fez todos os componentes cantarem a o samba-enredo em louvor a Florianópolis, com suas crendices, cultura e tradições. Saíram da passarela com a promessa de voltar arrasando em 2012.

A Porto da Pedra chegou com a vontade de vencer no sambódromo. Já com uma trégua da chuva, a agremiação apresentou um desfile lúdico e criativo ao contar a vida da autora e diretora de teatro Maria Clara Machado. Efeitos especiais também ajudaram a levar o público a uma viagem pela imaginação, com destaque especial para o fantasminha Pluft.

Grande expectativa para a noite, a Beija-Flor levou o cantor Roberto Carlos e se apoiou em seu carisma e popularidade para levar o desfile. Todas as fases do rei, desde a infância até a devoção religiosa, passando pela relação com a mãe, Lady Laura, foram simbolizadas pela escola – em fantasias luxuosas e grandes alegorias. Para ganhar ainda mais o público – para quem a presença de Roberto no desfile parecia o suficiente – a agremiação de Nilópolis distribuiu rosas artificiais, em semelhança ao que o próprio cantor faz em seus shows. Mas no fim, pela tradição da Beija-Flor, ficou a sensação de que mais poderia ter sido feito.

Veja fotos e detalhes do desfile por escola:

União da Ilha desfila com orgulho da trajetória

Desfile da Salgueiro se transforma no grande drama da noite

Mocidade Independente busca inspiração na agricultura

Mais afetada pelo incêndio, Grande Rio ‘lava a alma’

Porto da Pedra muda para buscar campeonato

Beija-Flor peca na evolução e aposta no carisma do rei