Ai de ti poesia.

Ai de ti poesia.

Paulo Rosenbaum

09 Maio 2018 | 09h52

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Ai de ti poesia

A impermanência da poesia creditada  aos fantasmas.

Aos espíritos despersonalizados,

micro histórias, locução passageira.

habitantes dos pequenos eventos,

O tempo age, dimensão ignota, ligeira

excesso de presença

 

Ai de ti poesia

como um herói acidental.

ícone de poema que grita uma única vez:

toda poesia é desafio

duelo marcado

entre a normalidade e seu inverso

contra o essencial, esgotado

 

Ai de ti poesia

uma vida pode desfazer-se

sem análise, memória ou crítica

das aspirações externas

se houvesse um único poema

totalizante, eis a vertigem impertinente

aterrissaria sobre o sentido

Dentro do passado intermitente

 

Ai de ti poesia

Tendo abandonado o reino

E rastreado o império 

A palavra torna-se viável 

Aos poucos,

E é nela, e por ela,

que tuas mãos e órgãos e sentidos 

Inauguram todo dia

A linguagem das sequencias

De gestos e infinitos concretos

Que se encerram no instante

No incremento do momento

 

Ai de ti poesia

Se houvesse poemas precisos

Exíguos e exatos , geometria

A poesia não exigiria sacrifício

seria a álgebra que refinaria

Os ossos do ofício 

 

Ai de ti poesia 

regenera a arte anulando o calendário

Exponha os truques engajados e seus achados

salva-nos do atraso que é este contexto binário

livrando-nos das armadilhas do glossário