Era uma vez os três poderes

Era uma vez os três poderes

Paulo Rosenbaum

27 Abril 2013 | 20h54

“O presidente da República em exercício, Michel Temer, disse na noite desta segunda-feira (10) que acredita que não haverá “conflito entre os poderes” com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a perda de mandatos de deputados condenados pelo mensalão.”

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá uma coluna mensal que será distribuída pela agência do jornal norte-americano The New York Times. O contrato foi assinado nessa segunda-feira, 22, nos Estados Unidos.”

“O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, rechaçou as críticas do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), de que tenha cometido “excessos” ao congelar a tramitação de um projeto de lei no Senado. Para o ministro, o Judiciário não invadiu o Legislativo e apontou o governo federal como foco de ‘ameaça’ ao Congresso.”

 

Sob o pé e a mando do poder Executivo há uma crise institucional, e, ainda que mitigada por negativas sistemáticas dos falsos bombeiros, infelizmente já possui vida real. Alguns homens chamam isso de política, aqueles dotados de olho histórico sabem que isso é outra coisa. Estamos testemunhando uma ameaça real aos princípios elementares da democracia.

A eliminação da burocracia do horizonte democrático — executivismo plebiscitário pleno, à moda venezuelana — e a manipulação fazem parte do longo planejamento rumo à pavimentação da hegemonia do Executivo – que neste momento conta com o Legislativo como seu testa de ferro – sobre os outros poderes.

No balão de ensaio de um empirismo tosco, o núcleo duro de Brasília tenta, por aproximações sucessivas, minar as forças que resistem à sua totipotencia. O objetivo final para além da consolidação do poder ilimitado com a coibição de novos partidos, é torpedear, desmoralizar e enfim quebrar o Judiciário. Ninguém consegue imaginar porque.

Com calma e sem alarmismo é preciso constatar que desde a ditadura nunca estivemos tão próximos de um impasse, criado, sustentado e mantido pelas mãos pouco republicanas da cúpula do poder federal. O que nos tranquiliza é que o novo colunista do New York Times, Lula, prometeu profunda e isenta análise do conflito em curso entre os poderes. O título já foi escolhido e seguirá sua linha ideológica negacionista “Estão sapateando por nada”.

O teste institucional está posto e o curioso é que sua desenvoltura ocorre à revelia da opinião pública.

Trata-se de uma cena estática e repetitiva. Os intelectuais parecem alheios ao perigo (assim o endossam sem se comprometer), os políticos conspiram, a oposição dormita, e a sociedade civil, a única força capaz de conter os atentados à constituição que estão se desenrolando, está muito preocupada com o devir da economia para se ocupar com a butinada nas instituições.

Paranóias a parte, quem viver será censurado.