Criatividade para tempos de crise

Criatividade para tempos de crise

Silvia Feola

01 Julho 2016 | 12h02

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A crise de 2008 – cujos desdobramentos estamos vivenciando até agora – exigiu que o modo de vidas das pessoas se reinventasse.

Como consequência direta disso, o modelo de fazer negócios também se viu afetado e mudou.

Hoje vemos na prática os conceitos de economia criativa, economia compartilhada, e um “slow movement” cujos adeptos só seguem aumentando.

A redução do poder de compra transformou-nos em consumidores mais exigentes e menos impulsivos, o que acabou dando origem ao termo “consumo consciente”.

Na alimentação, por exemplo, a compra de orgânicos é hoje bem mais comum; na moda, o “slow fashion” é tema mesmo nas revistas mais populares do meio; no comércio, os negócios seguem tentando agregar outros valores aos consumo do que apenas “a compra pela compra”.

Já falamos um pouco disso aqui quando abordamos o crescimento das feiras que reúnem trabalhos manuais e de pequenos produtores.

Mas esses não são os únicos espaços em que se evidencia tal tendência.

Cada vez mais surgem lojas físicas que oferecem uma curadoria, uma seleção desses mesmos tipos de produtos e produtores sob um olhar determinado. Pequenas lojas também têm seguido o mesmo movimento, associando aos seus próprios itens coisas variadas, oriundas de outros pequenos empreendedores. Uma associação que só tem a ganhar.

Outro fenômeno que impulsiona novidades é a transformação de espaços já existentes em novas propostas de consumo, unindo elementos que à primeira vista podem soar distantes um do outro.

Pensando nisso, decidi conversar com a Camila Bianchi, co-fundadora do recém-criado projeto na Vila Madalena, em São Paulo, chamado Cake Market.

O espaço é o mesmo onde há 12 anos funciona o salão de cabeleireiros Bardot, cujo dono, Marcos Furquim, é seu marido. Mas sua ocupação recente é totalmente diferente.

Agora, na entrada, há o showroom da marca de móveis infantis dirigida por Camila, a Maria Joaquina Marcenaria. Para quem não conhece, a Maria Joaquina existe há 10 anos, atendendo pedidos por encomenda do cliente; a linha infantil, por outro lado, embora tenha acabado de completar um ano de vida, já tende a ser o carro chefe da marca, com produtos criados para os pequenos, todos baseados no método montessoriano, isto é, que visa à plena autonomia da criança nos espaços da casa que são seus.

A linha infantil também segue o movimento de venda conjunta de objetos de decoração e brinquedos, numa parceria com pequenos empreendedores criativos.

Mas o que chama a atenção no projeto é a ideia de transformar o ambiente em um local que ultrapasse o consumo, aliando-o ao lazer.

O mesmo espaço ainda abrigará um café– com internet livre para ser usado como local de trabalho – e até funcionará como entreposto de cestas de produtos orgânicos.

Para a maximização dessa troca de experiências num mesmo espaço, todas as parcerias têm em comum a tarefa de oferecer workshops aos consumidores, sobre os assuntos que lhes são pertinentes.

Como afirma Camila, em tempos de crise, é preciso ver que há a oportunidade de ser criativo e se reinventar.

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Maria Joaquina Marcenaria para crianças

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Salão Bardot, agora com a Maria Joaquina à frente