O zika deixa o verão para mais tarde

Silvia Feola

17 Dezembro 2015 | 11h46

Ao que tudo indica, podemos assumir que há uma relação entre os casos de microcefalia e o zika vírus, identificado pela primeiro vez no Brasil no início do ano.

Atualmente, é quase impensável para uma grávida brasileira (principalmente as que estão no início da gestação) relaxar e acreditar que está de fato fazendo tudo o que é preciso para que seu bebê nasça saudável, nem mesmo dentro de casa.

O Ministro da Saúde, Marcelo Castro, admitiu que temos sido muito complacentes com o aumento e a proliferação do mosquito da dengue ao longo dos últimos 30 anos, o mesmo mosquito que hoje transmite o zika e a febre chikungunya.

Mesmo que o governo federal consiga liberar aos estados os recursos necessários para o combate ao mosquito, é muito difícil exterminar de vez o vetor, dado que vivemos em um país tropical.

Mas ainda que parte da responsabilidade seja do clima, não é perdoável que as autoridades de saúde tenham agido com tanta naturalidade ao perceberem que um vírus novo surgia pela primeira vez no país.

Até porque, a inexistência prévia do vírus tornava a maior parte da população bastante suscetível a ele.

Sábado foi o último dia de prazo para a notificação semanal de novos casos de microcefalia, cujos números têm sido liberados todas as terças pelo Ministério da Saúde. Foram contados mais de 2.100 casos de má-formação suspeitos de terem relação com o vírus.

No Estado Rio de Janeiro, o registro é de que quase 700 grávidas apresentaram sintomas do zika desde o final de novembro. Ou seja, os números da doença ainda tendem a aumentar no curto prazo.

O superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde do Rio, Mário Sérgio Ribeiro, afirmou que há uma relação entre o zika e a microcefalia, mas não é 100%. “A zika só vai provocar microcefalia se a doença se manifestar de forma aguda”.

Como se estima-se que a doença seja assintomática em 80% dos casos? Pelo menos metade das mães de bebês nascidos com a má-formação neurológica não relatam ter tido qualquer sintoma durante a gravidez.

Numa provável tentativa de acalmar a população, as autoridades tentam dar esperanças às mães na fila do posto. Mas podem ser apenas falsas esperanças, afinal, ninguém de fato sabe a verdadeira relação de causa e efeito.