Por menos lixo em alimentos e embalagens

Por menos lixo em alimentos e embalagens

Silvia Feola

14 Julho 2016 | 11h16

cicloorg

A campanha contra desperdício de comida ganha força na Europa depois de a França proibir que supermercados joguem comida fora.

Várias iniciativas que promovam uma melhor relação entre compra e venda de produtos no supermercado para evitar o desperdício têm sido implementadas em alguns países europeus.

A Dinamarca segue na frente, pioneira no assunto, tendo reduzido o desperdício de comida em um quarto desde 2010. Entre as ações, estão a criação de um supermercado só de comidas que seriam inutilizadas; um esforço de conscientizar a população sobre medidas que evitem o desperdício, assim como dos supermercados em gerenciar as promoções de modo que essas permitam uma compra mais consciente de itens.

A quantidade de comida jogada fora todos os dias em diversos lugares do mundo chama a atenção para o fato de que o problema da fome é muito mais político, do que propriamente relacionado à produção.

Talvez hoje não falte comida no mundo, mas uma adequada distribuição da mesma.

Além disso, a questão do lixo como um todo – o que não envolve apenas alimentos – obviamente precisa ser repensada.

Algumas boas inciativas a tem colocado nas mãos da sociedade civil.

No Rio de Janeiro, o Ciclo Orgânico faz a coleta semanal de resíduos orgânicos que, levados de bicicleta para uma composteira próxima, são transformados em adubo. Depois, são devolvidos aos donos por meio ou de uma mudinha, ou do próprio composto, ou podem ainda serem doados para um agricultor local.

O maior problema, contudo, reside no tipo de lixo que demanda uma maior energia para ser reaproveitado ou, pior, naqueles que não podem ser reciclados e reutilizados de modo algum.

Há uma enorme quantidade de embalagens plásticas que não conseguimos reaproveitar.

Mesmo produtos orgânicos e que são vendidos como mais sustentáveis ao meio-ambiente ainda contam com embalagens que precisam ser – pelo menos – recicladas para serem reutilizadas.

Muitas – como embalagens de metal presente em alguns sucrilhos e cereais orgânicos, por exemplo – nem sequer podem passar por esse processo.

Precisamos pensar em soluções práticas e viáveis para reaproveitarmos as embalagens dos alimentos.

Melhor ainda seria pensar em incentivos para que grandes marcas vendam seus produtos – orgânicos ou não – a granel, o que parece ser a solução mais imediata para uma menor quantidade de lixo em forma de embalagens.

Mesmo numa cidade do tamanho de São Paulo, ainda são poucas as opções de mercados que vendam cereais e outros produtos a granel.

Além da Zona Cerealista, conheço apenas o recém-aberto Mercado Granel, na Vila Leopoldina. Quem souber de mais lugares assim, por favor, compartilhe as indicações.