Tchau hipster, olá normcore

Tchau hipster, olá normcore

Silvia Feola

08 Junho 2015 | 13h04

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As mudanças sociais são primeiramente incorporadas por pequenos grupos, em movimentos que se desenrolam no interior da cultura de uma sociedade: as chamadas sub-culturas. Como toda mudança vai em contraposição a uma norma vigente, nega valores passados.

Como aquilo que surge em busca do que é novo e diferente dentro da cultura de massa, as subculturas têm sido interpretadas pelo prisma do individualismo. Alguém busca fazer parte de um subgrupo social justamente porque este lhe atribuiria a qualidade de ser diferente, único e exclusivo.

O que implica que, no fundo, a verdadeira motivação de seus adeptos estaria na vontade de querer se destacar dos demais, parecendo genuinamente autêntico. Quando passa a ser aderida por uma grande parte da sociedade, deixa de ser revolucionária, e vira um reles modismo.

Os sujeitos não são mais diferentes, mas iguais à maioria.

No entanto, o movimento atual parece ir contra a esse individualismo exagerado. A última edição da K-Hole, agência de tendências de Nova York, traz o título “Ser especial x Ser livre”.

No relatório, frases do tipo:

  • “Ser diferente não precisa ser uma jornada solitária; pode ser uma atividade de grupo.”
  • “É como uma festa que é tão exclusiva, que ninguém nem sequer aparece.”
  • “Os marcadores de individualidade se reformulam tão rápido que não é possível estar em dia.”
  • “O desafio agora é manejar ser igual, e não diferente.”

O objetivo da publicação é afirmar (e justificar) a nova tendência do mercado, a Normcore, isto é, nada além de ser normal.

Definido no mundo da moda como um movimento em direção a propostas mais simples no modo de se vestir, é uma tendência social que parece carregar uma inversão da interpretação do que até agora foi considerado cool.

A necessidade do sentimento de pertencer a um grupo maior é hoje aquilo que impulsiona os jovens (e os consumidores em geral) a irem conscientemente nessa direção.

Ainda de acordo com a K-Hole, “antes os homens nasciam em grupos e tinham que buscar sua individualidade, hoje as pessoas nascem como indivíduos e tem que encontrar as suas comunidades”.

Essa é uma mudança importante porque se destacar da sociedade é justamente participar de uma nova construção coletiva dela.

A década marcada pelo movimento hipster indicou o caminho.

Majoritariamente formada por uma geração que valoriza os projetos coletivos – vide as hortas urbanas, os crowdfundings, os coletivos de escritórios – foi um fluxo agregador em busca de novas formas de se unir em comunidade.

Tanto que foi dentro desse momento sócio-político que surgiu o movimento Occupy.

Resta agora observar em que direção seguirá o Normcore.

Como toda mudança introduz algo de novo e diferente, vale observar como será definido o que é “normal”.