A geografia da violência (2)

Estadão

18 Novembro 2009 | 15h52

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Os dados são parte do esforço de organizações mundiais de identificar as tendências gerais da violência. Mas devem ser vistos com certas reservas. Não se prestam, por exemplo, a conclusões do tipo: Brasil é dez vezes maios violento que a Armênia, duas vezes o Cazaquistão etc. O blog conversou sobre o assunto com Anna Alvazzi del Frate, da seção de estatística e pesquisa da UNODC. “De fato é muito difícil manter uma base internacional ampla e atualizada de crimes”, afirma, por e-mail. “Uma das dificuldades”, ela ressalta, “é obter informações acuradas de muitos países”. Como exemplo, cita o fato de que apenas metade dos países membros das Nações Unidas responderam à décima rodada da pesquisa sobre tendências da violência e sistema criminal. Esta enquete é uma das 44 fontes usadas no levantamento – o que dá a dimensão do desafio.

Há mais complicações.  Existem diferenças na forma como os sistemas criminais de cada país funcionam. Há lugares em que a Justiça conta como um único crime uma série de agressões cometidas por uma mesma pessoa. Há lugares em que os únicos números conhecidos são aqueles repassados pela polícia. Há lugares em que, na falta de dados oficiais consistentes, são feitas pesquisas por amostragem. Há também uma questão de escopo: a pesquisa trata os crimes nacionalmente, o que pode diluir ou mascarar a concentração da violência nas cidades. E por fim: embora seja o levantamento mais recente, os dados dos homicídios são de um longínquo 2004. Enfim, são dados interessantes, o mais acurados possíveis – mas que devem ser lidos com reserva.

Anna avisa que uma nova versão do levantamento, com dados mais atualizados, está prevista para o mês que vem.