A importância dos rankings

Estadão

24 Novembro 2009 | 15h14

Diadema, na Grande São Paulo,  foi considerada em 1999 a cidade mais violenta do mundo, com 141 homicídios por 100 mil habitantes. Mesma condição viveu o bairro do Jardim Ângela, da zona sul de São Paulo, em 1996, quando foi apontado pela ONU como o lugar mais violento do planeta – tinha 116 assassinatos por 100 mil habitantes.

A condição de lugares mais violentos expôs a comunidade e os políticos locais. Se por um lado a situação foi embaraçosa para todos, de outro levou políticos e comunidades a reagirem e a iniciarem uma série de mudanças nos lugares onde viviam. Tanto Diadema como Jardim Ângela reverteram drasticamente o processo de violência. Diadema deve chegar este ano à marca de 14 homicídios por 100 mil habitantes. Jardim Ângela ficou mais de 50 dias sem um assassinato – algo impensável há dez anos. “Os rankings não são panacéias, mas acabam funcionando como indicador de políticas públicas”, diz o sociólogo Ignacio Kano, pesquisador de Segurança Pública e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Mesmo processo está sendo vivenciado por Pernambuco, que liderou o ranking dos Estados mais violentos por anos consecutivos. A permanente exposição na imprensa levou o governador Eduardo Campos (PSB) a assumir o tema como prioritário e hoje o Estado já acumula 12 meses seguidos de queda nos índices,  registrando 13% de redução nos homicídios até novembro deste ano.

Os rankings, portanto, são cada vez mais uma ferramenta para jogar luz sobre algumas mazelas e levam políticos e sociedades a reagirem. É o que temos visto historicamente em diversas localidades no Brasil. Informação nunca é dinheiro jogado fora.

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