Mortes em enfrentamentos com a polícia em pauta

Ana Sacoman

10 Novembro 2009 | 21h38

Os 10.216 mortos em 11 anos em supostos enfrentamentos com a polícia do Rio foram tema de conversa entre a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navanethem Pillay, e o governador Sérgio Cabral (PMDB), ontem, relata o repórter Felipe Werneck.

RIO – O grande número de mortos em alegados confrontos com policiais no Rio foi tema da conversa da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navanethem Pillay, com governador Sérgio Cabral Filho, ontem de manhã. Pouco depois do encontro, em visita à Unidade de Policiamento Pacificadora (UPP) no Morro Dona Marta, ela comentou as 10.216 mortes registradas como “autos de resistência” no Estado em 11 anos e nove meses.

“Levantei minhas preocupações com o governo sobre essas estatísticas. Acredito que sejam 50 mil assassinatos em todo o País, e isso é inaceitável. Algumas organizações em Salvador me disseram que isso é um genocídio de negros. Isso é um assunto que me preocupa muito e por isso conversei com a polícia.” Navanethem ressalvou que estava formando suas “primeiras impressões”, mas disse que ficou “satisfeita” com a conversa que teve com Cabral: “Ele foi categórico ao afirmar que não vai tolerar a impunidade nos crimes cometidos por agentes do Estado e que está preocupado em pagar salários mais altos para a polícia.”

A PM do Rio tem um dos mais baixos salários do País (cerca de R$ 900 o inicial). Sobre o fato de a maior média de mortos pela polícia ter sido registrada durante a atual gestão (3,3 por dia), a representante da ONU declarou: “É uma das questões que vim para discutir”.

Durante a visita ao morro, Navanethem ouviu reclamações de moradores, como a de que as contas de luz estão
caras, e conheceu projetos sociais desenvolvidos pela PM (escolas de caratê e de música). Para ela, a polícia
realizou ali “grandes avanços”. O Rio tem mais de mil favelas, e o Dona Marta é uma das quatro que receberam
UPPs. “Meu escritório observa todas as favelas e estamos cientes dos níveis de violência”, disse ela, ao justificar a escolha.