O avanço das milícias no Rio

Ana Sacoman

10 Novembro 2009 | 21h22

Reportagem de Pedro Dantas que será publicada amanhã no Caderno Metrópole, do jornal O Estado de S. Paulo, mostra o avanço do domínio das milícias nas favelas do Rio, de acordo com estudo do Núcleo de Pesquisa das Violências (Nupevi), da Uerj.

RIO – As milícias já dominam mais favelas no Rio do que
qualquer das facções de traficantes de drogas. Essa é uma das conclusões do estudo do Núcleo de Pesquisa das
Violências (Nupevi) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A coordenadora do levantamento, antropóloga Alba Zaluar, aponta que a combinação do crescimento dos milicianos com a expansão das Unidades
de Polícia Pacificadora (UPPs) deve levar ao recrudescimento dos confrontos, principalmente no subúrbio e na zona norte do Rio, para onde avançam os grupos paramilitares formados por bombeiros, policiais e agentes penitenciários.

“As milícias aumentaram quase quatro vezes o número de proporção das áreas de favelas dominadas. É um aumento absurdo relacionado com os fracassos das políticas de segurança pública. É de se esperar com o avanço das milícias e a política do Estado de recuperar territórios dominados pelo tráfico, que ocorram mais confrontos armados”, afirmou Alba.

A pesquisa aponta que 41,5% das 965 favelas existentes no ano passado estavam sob o domínio de milicianos até o final de 2008. Em 2005, as milícias dominavam apenas 11,2% das favelas na cidade e o Comando Vermelho,
50,1%. Hoje, o CV domina 40,8% das comunidades, seguido pela quadrilha Amigo dos Amigos, com 7,7%, e pelo
Terceiro Comando, com 7%. Apenas 3% das favelas são “neutras” ou não estão sob domínio do crime organizado.

A antropóloga analisa que a partir de 2002 as milícias descobriram o lucro e hoje atuam de forma tão violenta quanto o tráfico. “Houve uma expansão dos negócios dos milicianos. A população das favelas passou a ser um mercado disputado pelo oferecimento de gás, do canal pirata de TV, transporte alternativo e pela taxação de todas as transações imobiliárias”, apontou Alba.

O estudo aponta que o conjunto de favelas do Complexo do Alemão, é o local com maior probabilidade de morte
violenta para menores de 15 anos, seguido pelo Complexo da Maré, Favela do Jacarezinho (todo na zona norte).
Os bairros de Guaratiba e Santa Cruz (zona oeste) aparecem em sétimo, seguidos pela Favela da Rocinha, em
São Conrado (zona sul), e pela Cidade de Deus, na zona oeste.