Mario e Albertina vendem o Pinheirinho e se despedem da boemia após 46 anos

Mario e Albertina vendem o Pinheirinho e se despedem da boemia após 46 anos

Edmundo Leite

27 Maio 2017 | 17h59

Uma instituição do bairro de Pinheiros troca de mãos a partir deste fim de semana. Desde abril de 1971 no balcão, cozinha e atendimento do bar Pinheirinho, o casal Seu Mario e Dona Albertina estarão neste sábado à noite, 27, pela última vez à frente do tradicional boteco da esquina da Rua dos Pinheiros com a Maria Carolina. Após amadurecer a decisão por um bom tempo, os imigrantes portugueses da Ilha da Madeira que se conheceram aqui no Brasil venderam o Pinheirinho para um grupo de sócios que promete manter o espírito do bar com paredes de tampinhas de garrafa que testemunhou todas as transformações da Rua Pinheiros nesses quase 50 anos.

O anúncio da venda feito na segunda-feira por Dona Albertina no Facebook com o casal assinando o contrato de venda comoveu os clientes. Novos e antigos frequentadores postaram mensagens emocionadas e começaram a ligar e ir ao bar para tomar cerveja e comer os petiscos preparados sempre por Albertina pela última vez.

Com 72 e 66 anos, o casal resolveu que era hora de parar e fazer uma transição tranquila do estabelecimento. Com incentivo dos quatro filhos, Fabio, André, Flavia e Fernanda, que cresceram atrás do balcão e desde crianças ajudaram os pais nas tarefas do bar, mas seguiram outros rumos profissionais, Mario e Albertina resolveram que era a hora de curtir um novo modo de vida.

Sem faltar um dia ao trabalho, Mario soma mais de 50 anos de balcão, já que antes do Pinheirinho teve bares no Rio de Janeiro, Bertioga, Lapa e no Centro. “Ele está muito emotivo”, conta Dona Albertina. ‘Imagina como vai ser na segunda-feira, pela primeira vez sem as compras e outras obrigações do bar’. Albertina, que além de cozinhar, servir e escrever caprichosamente os cardápios únicos do Pinheirinho, diz que está forte (“não conhecia esse meu lado”) e já assimilou a nova fase da vida em que poderá fazer outras coisas sem ter que sair correndo de festas e eventos sociais porque tinha o bar e a clientela para cuidar. “Preciso aprender a viver sem o Pinheirinho. Vou aprender”, diz com seu sotaque madeirense. Resta saber se os clientes aprenderão a viver no Pinheirinho sem Dona Albertina e seu Mario.

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