Comissão da Verdade perdeu chance única ao desprezar lei da Anistia

Comissão da Verdade perdeu chance única ao desprezar lei da Anistia

Edmundo Leite

10 Dezembro 2014 | 13h16

Nunca mais haverá outra oportunidade como essa. E o Brasil desperdiçou. Após mais de dois anos de trabalho, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade é um grande TCC  (Trabalho de Conclusão de Curso), com muita compilação de informações já conhecidas e quase nenhuma novidade.

Ao desprezar a Lei da Anistia e optar por nada produtivas sessões públicas de esculacho contra agentes da ditadura, a comissão jogou no lixo a oportunidade de obter informações concretas. Seria preferível um torturador ou testemunha falando a verdade reservadamente, com garantia de anonimato e,  sim, de impunidade, que o silêncio eterno.

Assim como na delação premiada no caso da Petrobrás, a garantia da aplicação da Lei da Anistia seria fundamental para que a verdade viesse à tona. Mas algumas das sessões públicas não passaram de homenagens às vítimas da ditadura. Homenagens justas. Mas fora de hora e desperdício de tempo e energia para quem já tinha um prazo e condições desfavoráveis para realização de tão importante tarefa.

O que interessa mesmo às famílias de mortos e desaparecidos continua na mesma. E vai continuar. De agora em adiante só o acaso, como aconteceu com o aparecimento de documentos sobre a prisão de Rubens Paiva, fará com que algum caso de desaparecimento ou morte seja elucidado.

Documento encontrado na cada de militar assassinado no Rio Grande do Sul

Documento encontrado na cada de militar assassinado no Rio Grande do Sul