Jóia da arquitetura desaparece na quarta-feira de cinzas

Jóia da arquitetura desaparece na quarta-feira de cinzas

Edmundo Leite

14 Fevereiro 2018 | 18h05

Uma nuvem de poeira se ergueu numa rua de Pinheiros. Após dias de uma demolição lenta com marretadas e britadeiras, a peculiar casa do número 839 da rua Capote Valente desapareceu rapidamente na manhã desta quarta-feira de cinzas, quando as estruturas e paredes que restavam do imóvel erguido nos anos 50 pelo artesão e mestre de obras italiano Carlos Buoro vieram totalmente abaixo.

Operada com precisão por um funcionário da empresa demolidora, a escavadeira hidráulica Doosan 180 x  levou menos de duas horas para derrubar paredes, colunas, vigas e tudo o que os operários não conseguiram demolir com o árduo trabalho braçal nos dias anteriores.

Um grande tapume preto de madeira instalado após os primeiros dias de trabalho da demolição impedia a visão da derrubada da parta frontal da construção. Mas através do estacionamento lateral na avenida Cardeal Arcoverde foi possível testemunhar o fim da residência que tanta atenção chamava da vizinhança e dos que por ali passavam.


Alguns vizinhos do prédio ao lado olhavam pela janela o fim da bela casa enquanto uma dupla de documentaristas filmava a máquina, os destroços e os entulhos. Uma vizinha que acompanhou os últimos dias da casa, quando os herdeiros de Buoro organizaram uma venda no estilo ‘família vende tudo’, conseguiu que um dos operários da demolição desse a ela algumas pedras polidas coletadas num rio próximo pelo próprio Buoro e usadas pelo mestre de obras como decoração da residência.

Vendida pelos herdeiros da família proprietária no ano passado após a morte da última ocupante, a casa dará um lugar a um prédio.

Fotos e vídeo: Edmundo Leite