Maioridade eleitoral, maioridade democrática

Maioridade eleitoral, maioridade democrática

Edmundo Leite

03 Outubro 2010 | 07h00

21 anos depois de experimentar o gosto de escolher o presidente por voto direto após um  jejum forçado de quase três décadas, o Brasil  parte hoje para sua sexta eleição presidencial contínua. Não é pouca coisa. Mostra que o país atinge a maioridade eleitoral e, consequentemente, democrática. Apesar do clima acirrado que impede que votantes das duas principais forças enxerguem qualquer mérito no lado adversário, a tendência é que a estabilidade democrática perdure, seja qual for o resultado final.

15/11/1989 – Eleição presidencial – 1º turno.
Candidatos: Ulysses Guimarães, Paulo Maluf, Leonel Brizola, Lula, Aureliano Chaves, Ronaldo Caiado, Roberto Freire, Mário Covas, Afif Domingos, Fernando Collor e Silvio Santos.

Em 1989, quando uma geração de jovens ia à urna pela primeira vez, e já estreando numa disputa espetacular, tinha gente mais velha que até brincava: “Não é justo, vão votar pela primeira vez e já vão escolher presidente”. Como nas duas décadas e pouco de didatura militar nem em prefeito muitas vezes foi  possível votar, o sentimento de inveja era até compreensível. Mesmo o gosto amargo de ver o  primeiro escolhido sair defenestrado do Planalto sem completar o mandato não foi capaz de impedir que o ciclo continuasse. Que assim continue. Da maioridade para a maturidade e para a longenvidade.

Nesses 21 anos de eleições, além de presidente, o País foi às urnas para escolher vereadores, prefeitos, deputados, senadores e em dois plebiscitos: um para optar entre os regimes republicano, parlamentarista  ou monarquista (1993) e outro sobre o porte de armas (2005). Como algumas delas foram em dois turnos, são 21 idas às urnas. Tem gente que não gosta e resmunga sobre o voto obrigatório.  Reclamam de barriga cheia.  Pior que ser obrigado a votar é quando o obrigatório é não votar.

Abaixo, uma lembrança pessoal dessa história de 21 anos de  votos.

17/12/1989 – Eleição presidencial – 2º turno.
Collor x Lula