O maior drible tomado pelo Palmeiras

O maior drible tomado pelo Palmeiras

Edmundo Leite

28 Julho 2011 | 19h16

Todos os times têm derrotas memoráveis em sua história. Algumas amargas. Dentro de campo, é do jogo. Mas quando a derrota é fora dos gramados fica difícil até de avaliar. Há exatos dez anos, o Palmeiras deveria começar a disputa de um sonhado Mundial de Clubes na Espanha. A falência da ISL, agência parceira da Fifa, fez o sonho virar pesadelo.

Depois de, num lance de esperteza e ingenuidade dos dirigentes, ceder a vaga a que tinha direito no primeiro Mundial de Clubes disputado no Brasil para o Vasco, o time do Parque Antártica ficou a ver navios quando foi anunciado o cancelamento do torneio na Espanha.

O material promocional produzido pelo clube em parceria com agências de viagens parceiras dá uma noção de quão grande era a expectativa palmeirense com a competição. O time pretendia, 50 anos depois de conquistar a mítica e polêmica Taça Rio, o primeiro Mundial de Clubes da História, colocar seu nome como uma das grandes forças do futebol mundial.

Para acalmar os dirigentes  palmeirenses, a Fifa indenizou o clube em US$ 750 mil. O então técnico Luiz Felipe Scolari resumiu numa frase o sentimento da torcida palmeirense com o drible tomado da Fifa: “Eu me sinto roubado”.

 

 

O Estado de S.Paulo – 18/5/2001

O Estado de S. Paulo – 19/5/2001

Relembre nas reportagens de Cosme Rímoli, Luiz Antônio Prósperi e Eduardo Maluf outros lances da história, iniciada em 1999,  do Mundial não disputado pelo Palmeiras:

Jornal da Tarde – 15/06/1999

Mundial de Clubes: Vasco é o indicado 

COSME RÍMOLI, LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI 

A Confederação Sul-Americana surpreendeu ao anunciar, ontem, que o  Vasco
representantará o continente no  Mundial  de  Clubes , que será disputado no
Brasil de 5 a 15 de janeiro de 2000.  Francisco Benitez, secretário-executivo
da Conmebol, comunicou à  Fifa  que o clube carioca foi escolhido por ter sido
campeão da Libertadores da América em 1998.
A expectativa era pela participação do campeão sul-americano de 99, título
que será decidido entre  Palmeiras  e Deportivo Cali, amanhã, no Parque
Antártica.  Com a opção pelo  Vasco , a Conmebol resolveu um problema da CBF,
que havia escolhido São Paulo e Rio como as duas sedes do torneio.
“Até eu fiquei surpreso com a indicação do  Vasco , não tive participação
nenhuma na escolha.  A Sul-Americana seguiu critério da  Fifa , que havia
indicado o Real Madrid como campeão da Copa Toyota de 98”, comentou Ricardo
Teixeira, presidente da CBF.
Com um time carioca garantido no  Mundial , não será surpresa se Teixeira
optar por um clube paulista como representante do Brasil, que tem direito a
uma vaga por ser o país-sede do evento.
“Tenho até outubro para definir o clube que representará o Brasil.  Quero
analisar com calma.  Não haverá um torneio específico para isso.  Antecipo que
não será o campeão brasileiro ou o campeão da Copa do Brasil.  O critério é
da CBF.”
Teixeira tem um bom argumento para escolher um time paulista: um jogo extra
entre Corinthians, campeão brasileiro de 98, e  Palmeiras , campeão da Copa do
Brasil de 98.  A chance de a vaga ficar com um time paulista é muito grande.
Não por acaso, o presidente da CBF conseguiu, ontem, o apoio do governador
Mário Covas para a realização do torneio.
Teixeira teve uma audiência com Covas, às 10h, quando expôs o projeto da CBF
e as exigências da  Fifa  para o Brasil organizar o torneio. “O governador
ficou entusiasmado com o torneio, principalmente quando soube que mais de 2
bilhões de pessoas acompanharão os jogos pela televisão.  Será uma propaganda
de São Paulo para o mundo.  Do governo paulista nós só precisaremos de
segurança para as equipes.”
Com o respaldo de Covas, Teixeira cumpriu com uma das exigências da  Fifa ,
que só autoriza um país a organizar o  Mundial  desde que tenha apoio oficial
das autoridades locais.
Anthony Garotinho, governador do Rio, havia garantido que o Estado daria
total respaldo à CBF.  Garotinho também anunciou um investimento de US$ 60
milhões para reformar o Maracanã.  A  Fifa prometeu vistoriar o estádio
carioca e o Morumbi a partir de quinta-feira.
Cosme Rímoli e Luiz Antônio Prósperi
A escolha veio da Confederação Sul-Americana, que se decidiu pelo clube
carioca por causa do título da Libertadores/98.O outro
indicado do Brasil será privilégio da CBF

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O Estado de S.Paulo - 26/05/2001

Fifa promete indenizar o clube 

EDUARDO MALUF 

A  Fifa  aunciou ontem que vai indenizar os  clubes  pelo adiamento do  Mundial ,
que seria realizado em julho e agosto, na Espanha.  O  Palmeiras  vai receber
pelo menos US$ 500 mil que a entidade havia dado como adiantamento aos
participantes da competição.  O Alviverde, no entanto, não tinha recebido
nenhuma quantia. “Teremos de fazer o balanço do prejuízo financeiro.  Nas
próximas semanas, pagaremos os  clubes  e os organizadores”, garantiu Michel
Zen Ruffinen, secretário-geral da  Fifa .
A diretoria do  Palmeiras  havia enviado, durante a semana, uma carta para a
sede da entidade exigindo explicações e pedindo os US$ 500 mil a que tinha
direito.  O Departamento Jurídico estava estudando a possibilidade de entrar
com uma ação contra a  Fifa  na Justiça por perdas e danos.  Depois da promessa
de ressarcir os  clubes , porém, o  Palmeiras vai desistir da idéia.
A quantia que receberá poderá ajudar a diretoria a trazer alguns reforços.  O
atacante Caio, que deixou o Santos, pode ser o primeiro.  No início do ano, o
Alviverde tentou contratá-lo.  A intenção é “tapar os buracos” que vão
aparecer, porque dificilmente Alex e Felipe permanecerão no Palestra Itália.
“O preço que estão pedindo pelo passe deles está fora da realidade do
futebol brasileiro”, afirmou um dirigente do clube, ligado ao presidente
Mustafá Contursi.  O zagueiro Argel, que interessa ao Santos, dificilmente
permanecerá no segundo semestre.  (E.M.)

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Jornal da Tarde - 25/05/2001

Revoltado com o acordo 

COSME RÍMOLI 

Scolari havia avisado para não aceitarem acordo que dava a vaga para o Mundial
de 2000 ao Vasco. ‘Eu me sinto roubado’

“ Não se abre mão de um direito adquirido em nome de nada (desistência do
Palmeiras  do  Mundial  em favor do Vasco) ”
(Luiz Felipe Scolari)
Em Belo Horizonte, Luiz Felipe Scolari soube do cancelamento do  Mundial  de
Clubes  da Espanha, do qual o  Palmeiras  iria participar em julho, e foi
dominado pela raiva.  O treinador se lembrou das conversas que teve com
dirigentes do clube enquanto preparava a equipe para a disputa do  Mundial  no
Japão em 1999.  Ele tentou de todas as maneiras evitar que aceitassem adiar a
participação do  Mundial  de 2000 e deixar a vaga para o Vasco.
“Era um assunto interno, na época.  Eles me disseram que o  Palmeiras  iria
abrir mão porque teria assegurado a participação no  Mundial  de 2001.  O Vasco
ficaria com a nossa vaga porque interessava para a realização do campeonato
ter um time do Rio de Janeiro.  A desculpa que convenceu os dirigentes foi
que se ganhássemos o  Mundial  do Japão em dezembro de 1999 só teríamos um mês
para desfrutá-lo, já que o  Mundial  do Rio seria em janeiro de 2000.  E além
do mais a  Fifa  garantia que estaríamos no de 2001 na Europa.  Fui contrário
desde o início.  Não se abre mão de um direito adquirido em nome de nada.  Mas
fui voto vencido.  E sou homem que respeita a hierarquia.  Quem manda no clube
já havia aceito”, revela, irritado.
O tempo haver passado e provado que estava certo não acalma Luiz Felipe.
Pelo contrário. “Tenho uma ligação de coração com o  Palmeiras .  Carrego a
carteirinha do clube para onde vou.  Fico muito mais do que triste com tudo
que deixaram de ganhar no Parque Antártica com o cancelamento do  Mundial .”
Revolta
Quando pensa na luta que foi para vencer a Libertadores da América e que
vários jogadores que participaram da campanha como Marcos, Alex e Arce
ficaram no  Palmeiras  esperando pelo  Mundial  da Espanha, Felipe se revolta de
vez: “Sei que estão se sentindo como eu.  Estou me sentindo roubado.  Em
futebol não se confia em ninguém.  Falaram para deixar o Vasco disputar o
Mundial  de 2000 que o  Palmeiras  estaria no de 2001.  Eu avisei.  E agora?  Cadê
a competição?  Sinto raiva, bronca, vergonha.  Por mim, pelos atletas e pelos
torcedores.  No futebol as oportunidades são únicas.”
Embora seu trabalho tenha sido vitorioso no  Palmeiras , Luiz Felipe nunca
teve sequer metade do respaldo que tinha no Grêmio.  Por falar palavrões, o
treinador foi proibido de levar a equipe para treinar no Parque Antártica.  A
diretoria não molhava a grama horas antes da partida começar, como implorava
o treinador – ele sempre entendeu que o gramado do estádio palmeirense
prendia a bola e atrapalhava seu próprio time.  Seu trabalho era limitado
também nas categorias de base.  Mas mesmo assim grande parte dos conselheiros
quer o retorno do treinador.
Ligação afetiva
“Eu me sinto lisonjeado e feliz demais quando retorno ao  Palmeiras .  Mesmo o
presidente Mustafá, com quem tive algumas opiniões divergentes, sempre me
tratou com respeito e foi muito digno quando pedi para sair.  Também sei que
faz o possível e o impossível pelo  Palmeiras .  Passei três anos no Parque
Antártica.  Minha ligação é tão afetiva que ganhei uma carteira de sócio, com
validade até novembro de 2003, do diretor financeiro Durval Colossi.  Ela
está sempre comigo.”
O técnico não gosta quando perguntam o que sente ao ser aplaudido pelos
palmeirenses que chamam Celso Roth de “burro”. “Agora eu sou treinador do
Cruzeiro e vou fazer tudo para eliminar o  Palmeiras  e para ganhar a
Libertadores.  Adoro saber que os palmeirenses têm um carinho grande por mim
e é recíproco.  Só que o homem que merece todo o apoio e incentivo agora é
seu treinador, o Celso Roth.  Ele está trabalhando pelo clube e merece
respeito.”
Sobre voltar a trabalhar no  Palmeiras , Luiz Felipe não aceita nem falar
sobre o assunto.  Diz estar com toda a sua energia voltada para o Cruzeiro.
Mas não esconde o encantamento com São Paulo. “Sinto um friozinho na barriga
quando sei que vou viajar para São Paulo.  A cidade enorme, os prédios, a
competitividade no trabalho.  Tudo isso me impressiona.  O técnico não é dono
de sua carreira.  Nunca sabe onde vai trabalhar no futuro.  Mas que no futuro
quero voltar a trabalhar em São Paulo..., ah!, isso eu quero.” (C.R. ) 

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Jornal da Tarde - 05/06/2001

Mustafá mostra sua revolta. E desafia 

COSME RÍMOLI

Mustafá Contursi está revoltado.  Motivos não faltam ao presidente do
Palmeiras .  Mas a vontade de vencer se mistura com a revolta.  Motivos não
faltam para o dirigente mostrar sua raiva.  O cancelamento do  Mundial  de
Clubes ; a acusação de ter feito um acordo e ceder a vaga do  Mundial  no Rio
para o Vasco; a pressão para trocar Celso Roth; as acusações do presidente
do Cruzeiro, Zezé Perrela, de que Mustafá impôs, na Confederação
Sul-Americana, o árbitro Carlos Eugênio Simon para perturbar Luiz Felipe
Scolari no decisivo jogo entre os brasileiros.
Enquanto Mustafá prepara o terreno para a chegada do sonhado patrocínio da
Pirelli, a ponto de ter praticamente fechada a venda da imagem, marketing e
assessoria de imprensa para as agências Fisher & Justus e Low Loduca, ele
também pensa como um torcedor. “O  Palmeiras  não teme a Bambonera e apesar de
todos estarem contra, tem tudo para ganhar a Libertadores”, desabafou com
exclusividade ao JT.
Jornal da Tarde – O senhor está orgulhoso por não haver cedido às pressões
para a demissão de Celso Roth?
Mustafá-- Eu não sou homem de ceder à pressão de torcedor, imprensa.  Eu
apostei no trabalho do Celso Roth desde o início.  Eu entendo de futebol e vi
o trabalho sério que ele estava fazendo com o time.  O  Palmeiras  nunca foi
circo para o nosso técnico estar na corda bamba como diziam por aí.
Mas no jogo que valeu a classificação, o presidente do Cruzeiro, Zezé
Perrela, declarou que o senhor impôs a escalação do árbitro Carlos Eugênio
Simon.  O senhor tem essa força na Confederação Sul-Americana?
Tem coisas que me revoltam no futebol.  Eu sou um dirigente, um homem comum,
que paga pelos meus atos.  O presidente do Cruzeiro é um deputado, com
imunidade.  Pode fazer o que quiser, invadir o campo para pressionar o juiz,
inventar um monte de mentiras para justificar a eliminação do seu time e
nada acontece com ele.  Por pessoas assim que o Clube dos 13 está cada vez
mais fraco.
O senhor fez acordo com a diretoria do Vasco para participar do  Mundial  de
2001 e deixou os vascaínos com o de 2000?
Isso é uma das maiores injustiças que fazem comigo.  Não houve acordo nenhum.
A Confederação Sul-America determinou o Vasco e Corinthians como
representantes brasileiros antes da Copa Libertadores acabar.  Não havia a
certeza que seria o  Palmeiras .  Não fiz acordo e estou irritadíssimo como
qualquer torcedor pelo cancelamento do  Mundial  da Espanha.
O  Palmeiras  não irá recuperar o dinheiro que investiu?
Vou revelar agora: a  Fifa  já colocou à nossa disposição US$ 500 mil.  Mas o
dinheiro não interessa.  Eu queria a chance do  Mundial .  Eu sinto como se me
tivessem convidado para uma festa mas não me deixaram comer o bufê.  Estou
revoltado.
E o  Palmeiras  não está garantido no  Mundial  de 2003.
Isso eu já sei.  Estamos nas mãos dos dirigentes da  Fifa , mas vou brigar
pelos nossos direitos adquiridos no campo.
O senhor mais teme o Boca Juniors ou La Bambonera?
O  Palmeiras  não teme La Bambonera e, apesar de todos estarem contra, tem
tudo para ganhar a Libertadores.  Conseguimos bons resultados no ano 2000 e o
time está pronto para suportar a pressão e decidir a vaga na nossa casa, no
Parque Antártica.  O time está pronto.  Dizem que não acompanho futebol, mas
sei muito bem o nosso potencial.  Por isso tenho a coragem de falar sobre as
nossas reais possibilidades de ganhar o título.
Como estão as negociações de patrocínio com a Pirelli?
Estão caminhando.  Mas não há nada decidido.  A nossa proposta eles já tem e
estou esperando a resposta definitiva.  Não posso afirmar mais nada, só isso.
O senhor vai levar seguranças a mais para Buenos Aires para proteger os
jogadores do  Palmeiras ?
Nada disso.  Ainda bem que esse tempo já passou.  Nossos jogadores não serão
perturbados.  E os deles não precisam se preocupar na partida de volta.  O
Palmeiras  sempre teve as suas conquistas no campo.  No campo.
Cosme Rímoli

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O Estado de S.Paulo - 18/06/2001

Palmeiras faz as contas e conclui: ‘Que prejuízo!’ 

EDUARDO MALUF 

A diretoria do  Palmeiras  reuniu-se nos últimos dias para analisar as
necessidades do elenco e para fazer um balanço das finanças do clube.  A
conclusão foi de que o primeiro semestre não poderia ser pior
financeiramente.  Além do prejuízo de no mínimo R$ 10 milhões com o
cancelamento do  Mundial  de  Clubes  da  Fifa , o Alviverde deixou de faturar
pelo menos mais R$ 5 milhões com a desclassificação nas semifinais da Taça
Libertadores, somando o valor pago pela Conmebol aos finalistas, arrecadação
e o prêmio que a Pirelli, nova patrocinadora, pagaria pelo título, conforme
prevê o contrato que vai durar dois anos.
Otimista, o presidente Mustafá Contursi apostou nesta cláusula do acordo
para aumentar a receita do clube.  A empresa italiana desembolosará US$ 2
milhões por ano, valor considerado baixo, mas pagará, ainda, por cada
conquista.  Neste ano, restam o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul.
A derrota para o Boca Juniors afetou também a Pirelli.  A multinacional e o
clube planejavam anunciar oficialmente o acerto após a partida da última
quarta-feira e apresentar a nova camisa com a logomarca do patrocinador.
Assim, o  Palmeiras  estrearia o uniforme já nos jogos decisivos da competição
sul-americana.
Bons tempos – No fim de 2000, a diretoria palmeirense comemorava o
equilíbrio financeiro do clube.  Tinha mais de R$ 40 milhões acumulados,
enquanto a maioria tentava “driblar” as dívidas.  Hoje, porém, esse valor
diminuiu em mais de 50%.  Assim, Mustafá não promete reforços de peso para o
segundo semestre.
O jogador que está mais próximo do Palestra Itália é o meia Robert, do
Santos, e o negócio pode ser fechado nos próximos dias.  Para que ele seja
contratado, o  Palmeiras  deverá ceder o atacante Tuta e mais um volante,
possivelmente Claudecir.
Robert, atacante do Botafogo de Ribeirão Preto, e Marquinhos,
lateral-esquerdo do Goiás, também interessam.  Um meia e um lateral são as
prioridades, porque Felipe e Alex estão deixando o clube.
O diretor de Futebol Sebastião Lapola iniciará nesta semana os trabalhos no
Palmeiras ao lado de Américo Faria.  Ele estava nos Emirados Árabes e volotou
ao Brasil semana passada.
R$ 15 milhões no primeiro semestre 

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O Estado de S.Paulo - 07/07/2001

Palmeiras recebe US$ 750 mil da Fifa e desiste de entrar na Justiça 

A  Fifa  anunciou ontem que pagará uma indenização de US$ 750 mil aos  clubes
que iriam participar do  Mundial  da Espanha, que começaria no fim do mês.  O
Departamento Jurídico do  Palmeiras  havia ameaçado entrar na Justiça contra a
entidade, alegando perdas e danos, mas desistiu.  O valor ajudará a diretoria
na contratação de reforços.  Embora não seja uma quantia  elevada para os
padrões do futebol atual, é considerável.  Equivale a quase quatro meses de
pagamento da Pirelli, que assinou contrato de patrocínio na segunda-feira.
Outra boa notícia para o torcedor é a renovação de contrato do volante
Fernando, que ficará pelo menos mais um ano no Palestra Itália.  O atleta
vinha sendo bastante assediado pelo Internacional-RS, mas preferiu
permanecer em São Paulo. “Sempre tive a intenção de ficar”, comentou. “A
renovação de meu contrato é uma prova de que idade não faz diferença.”
Apesar dos 34 anos, Fernando teve boas atuações no ano passado e no primeiro
semestre de 2001 e passou a ser querido pelos torcedores por sua dedicação.
Alegria de uns, tristeza de outros.  Fábio Júnior está inconformado com sua
situação.  O atacante foi suspenso por um ano na Itália por uso de passaporte
falso e quer mais esclarecimentos, o que não conseguiu até agora.  Américo
Faria, diretor de Futebol, disse que ainda não recebeu nenhum comunicado
oficial. “Minha mãe viu na televisão que eu tinha sido suspenso pela  Fifa  e
não poderia jogar no mundo todo e me ligou desesperada para saber se era
verdade”, contou. “Essa falta de informação é ruim e prejudicial.”
Mesmo assim, Fábio Júnior segue treinando e, amanhã, viaja com o elenco para
Serra Negra.  A estréia da camisa com a logomarca da Pirelli será no dia 14,
em amistoso com o Etti Jundiaí.  O  Palmeiras  vai entregar as faixas de
campeão da Série A2 para o time do interior.
A diretoria está atras de pelo menos três reforços.  Deivid, do Santos,
interessa.  Se não acertar com o Corinthians, poderá aparecer no Palestra
Itália.

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