A caça da pauta
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A caça da pauta

Redação

28 Outubro 2010 | 20h00

Na viagem que fizemos pelo curso à cidade de Santa Cruz do Sul (RS), tivemos a missão de apurar, e posteriormente, escrever um texto jornalístico no tamanho de 40 a 50 linhas de texto. O tema era livre, recebemos a recomendação de sermos criativos e estarmos atentos ao que fosse interessante.

Por isso, quando embarquei rumo a Santa Cruz, busquei me preparar para prestar atenção em tudo o que pudesse render uma matéria diferente. Essa não foi a primeira reportagem que tivemos que produzir sobre um local específico. Também não foi a primeira na qual os focas buscaram pautas não escolhidas por outro aluno.

Entretanto, ainda não havíamos produzido uma pauta em uma viagem patrocinada. Como o texto de Flávia abordou de maneira exata, a programação da visita, elaborada pela assessoria da indústria de cigarros Philip Morris Brasil (PMB), limitou o número de temas possíveis de se realizar, pois não deixava tempo livre para apuração. Aí surgiu o desafio: como não repetir o mesmo tema e como fugir da pauta óbvia?

Minha estratégia foi prestar atenção não só às palestras. Decidi dar importância especial a tudo o que fazíamos e víamos fora da programação oficial de palestras da visita. Precisava depender o mínimo possível da assessoria de imprensa da indústria, que provavelmente receberia depois da visita um volume grande de solicitações e poderia não atender todos no prazo do deadline.

Em um dos jantares que tivemos em Santa Cruz, quando assistimos à apresentação do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Tropeiros da Amizade (retratada no último texto de Bernardo), fomos recebidos por executivos da Philip Morris e de entidades ligadas à economia do tabaco. Cada um deles sentou em
à mesa junto a focas para conversar. Na minha, ficou o diretor da Philip Morris na América Latina.

A interação com os alunos fluiu bem e perguntei a ele sobre sua trajetória de vida profissional. Durante mais de uma hora falamos sobre sua carreira e sobre o que pensava ser essencial para obter o sucesso profissional. A história me chamou a atenção porque, filho de pequenos produtores de tabaco, ele havia trabalhado como office boy para pagar a faculdade. Depois, ingressou na indústria do fumo como trainee e deu início a uma carreira de rápida ascensão. Passou por três multinacionais do ramo e em todas chegou ao cargo de gerência. Decidi ali que meu texto seria o perfil do executivo e que traria o cigarro como elemento secundário e não como tema principal.

Não me arrependi, pois além de ter praticado a escrita de um dos gêneros que mais gosto no jornalismo, acertei na previsão sobre a assessoria de imprensa da PMB, que não conseguiu atender todas as solicitações de imprensa.

Ivan Martínez, de 21 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade de Taubaté (Unitau)