A coletividade em nome do jornalismo de qualidade
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A coletividade em nome do jornalismo de qualidade

Daniel Bramatti e Milagros Salazar explicaram como o trabalho coletivo de jornalistas de 76 países foi essencial para uma das mais extensas coberturas dos últimos anos

Redação

26 Outubro 2017 | 22h08

Por Rubens Anater

O segundo bloco de palestras da tarde de quinta-feira, dia 26, também lidou com jornalismo fora das redações e com colaboração entre diversos veículos. O bloco começou com palestra do editor do Estadão Dados, Daniel Bramatti. O jornalista falou sobre jornalismo colaborativo, principalmente no caso dos Panamá Papers, quando 376 jornalistas de 76 países e vários veículos de imprensa trabalharam em conjunto para mergulhar nos 11,5 milhões de documentos vazados da sociedade de advogados panamenha Mossack Fonseca.

Bloco dois da quinta-feira teve videoconferência com jornalista do Peru

Para Bramatti, eram informações demais – 2,6 terabytes de dados – para serem trabalhados por apenas um jornalista, ou mesmo um veículo. Ele conta que foi a primeira vez que teve de colaborar com colegas jornalistas, ao invés de competir. “Sem isso, não teríamos conseguido nem 10% do que conseguimos. Precisava realmente de muita mão de obra para verificar essa montanha de dados.”


Ele mencionou ainda outros exemplos de jornalismo colaborativo, como um projeto da Abraji que reúne vários jornalistas para examinar 70 gigabytes de documentos relativos a delações premiadas, publicados pela Câmara dos Deputados.

Por videoconferência, a jornalista peruana Milagros Salazar, do portal Convoca, contou que também participou da apuração dos Panamá Papers, e disse que a coletividade é um caminho para ser mais eficiente no objetivo de decifrar e desvendar a verdade. “A corrupção é uma coisa sem fronteiras e, como não tem fronteiras, precisamos nos aliar a colegas para investigar.”

Milagros também falou de outros projetos colaborativos, inclusive entre outros países da América Latina e da África. Disse ainda que isso é uma forma de tornar mais efetivo o trabalho do jornalista em servir ao interesse público. “O jornalismo se ocupa de processar muitas informações e publicar reportagens que tenham qualidade informativa e que sejam verdadeiras, para que povo possa tomar decisões e melhorar o exercício de seus direitos fundamentais.”