Além das impressões
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Além das impressões

Redação

20 Outubro 2010 | 18h46

Ao ver uma aprentação de dança, dificilmente identificamos a quantidade de pliés e cambrés e a função deles na estrutura do espetáculo. Tampouco observamos se os movimentos da bailarina estão no ângulo correto. A experiência para um coreógrafo seria diferente – ele analisaria com precisão técnica cada detalhe. No mesmo caminho, a minha professora de dança sabia que, tanto quanto fazer coreografias, estudar e acompanhar as produções em cartaz fariam dela uma profissional melhor.

Pois bem. Nós, jornalistas, devemos agir como o coreógrafo e a minha professora de dança. Estudemos os clássicos, os da literatura. E acompanhemos os espetáculos em cartaz, os jornais. Esse raciocínio ficou ainda mais claro com a passagem de Paco Sánchez pelo curso. “Ler jornais é essencial à rotina do jornalista”, o que pareceria óbvio antes de conhecer a técnica de leitura de Paco: buscar a essência do texto, em análise criteriosa dos elementos que o compõem. Estudar a escolha dos verbos, substantivos e adjetivos. Observar a posição deles nas frases, a estruturação dos períodos em parágrafos e a amarração desses na composição do texto.

No estudo, em sala de aula, de reportagens fora de ritmo percebemos: jornalista que não sabe construir transições é como coreógrafo que não costura um passo no outro. É texto sem ritmo, sem graça, sem emoção, sem vida, que faz morrer o interesse do leitor.

Paco trouxe métodos eficazes para olharmos os textos, os nossos e os dos outros, e descobrirmos o que há de bom e a solução para o que está mal. A repetição de estruturas de frases empobrece o texto, bem como vocabulário restrito e o uso excessivo do “que”. Com os verbos “curingas” ser, estar, haver e ter, dificilmente conseguiremos um bom resultado. Um tom marcado na abertura convida o leitor. Prometa informações e corresponda às expectativas.

Aprendemos que, para além apreciar, devemos tentar descobrir o que nos faz gostar do texto. E isso exige muito suor e técnica, tal como a dança.

Andréa Carneiro, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

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