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Bastidores: Escrevendo sobre Deus, fé e sexo

Redação

03 Janeiro 2012 | 10h40

A mobilização “Eu Escolhi Esperar”, criada na internet para motivar os jovens a manter a virgindade até o casamento, foi a nossa primeira ideia de pauta para o Caderno dos focas. Sugestão aceita, começamos o trabalho de caça às fontes.

Logo de cara, tivemos que contornar alguns obstáculos, como a mudança de foco da matéria, solicitado pela editora, e o corte de alguns bons centímetros de texto final após a entrega. Vida de jornalista é assim mesmo, meu camarada.

Depois que o tema foi expandido para dar espaço a uma abordagem que mostraria o jovem nas diversas religiões, seguimos. Mesmo familiarizados com o assunto (nós dois temos formação evangélica) pudemos aprender e colher novas informações. O centro de treinamento dos mórmons, por exemplo, nos trouxe outra visão sobre uma igreja que ainda é vista com preconceito no Brasil. Descobrimos quais eram as motivações desses jovens brasileiros, americanos, hispânicos, angolanos, moçambicanos: a pregação dos princípios mórmons e o desejo de passar dois anos em campo, uma experiência que pode torná-los mais maduros. A pauta, no entanto, ainda não satisfazia nossa editora.

Foi então que atentamos para uma outra tendência: na enquete realizada pelos focas no Facebook, o quesito “religião” foi o menos votado. A que causas isso se devia? Encontrar a resposta seria a nossa nova missão e, consequentemente, nossa nova matéria. Para chegarmos a uma conclusão tivemos que recorrer a especialistas como o teólogo Frei Betto e o professor de Ciências da Religião da PUC-SP Fernando Altemeyer Júnior. Com o apoio de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), pudemos apontar que muitos jovens veem a fé como uma questão particular e optam por cultuar Deus “em seu próprio coração” e não necessariamente por meio de instituições. Pronto, aí estava o gancho que o caderno precisava.

Em relação à matéria sobre o Movimento “Eu Escolhi Esperar”, tivemos ainda a chance de “ressuscitá-la”, já no finzinho do segundo tempo, para complementar o nosso conteúdo multimídia. Como já tínhamos apurado material desde o início da produção do Caderno, acabamos tendo mais facilidade para chegar a um novo texto, apesar das opiniões polêmicas que colhemos. Os pontos de vista do teólogo, criador da campanha, e da sexóloga da Unifesp seguiram caminhos opostos.

Enxergamos, nesse aspecto, uma das mais importantes contribuições do jornalismo: informar, sem tomar partido, deixando ao leitor a tarefa de formar uma opinião sobre o fato.

As duas matérias podem ser lidas aqui:

Mobilizar, rezar e esperar

Fé perde adeptos para atores sociais

Leandro Igor Vieira, de 26 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Talita Matias, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)