Focas no debate para a Prefeitura
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Focas no debate para a Prefeitura

Redação Estadão.edu

19 Setembro 2012 | 18h13

De repente, a notícia se espalha na redação: dois focas poderão assistir ao debate entre os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo, realizado na segunda-feira pelo Estadão, TV Cultura e YouTube. Depois de um sorteio meio às pressas, lá estávamos nós, com credenciais nas mãos, rumo ao Teatro Franco Zampari, no centro. Crachá vermelho, com um “imprensa” escrito em cinza. Não havia tempo a perder.

Chegamos pouco depois das 19 horas, para um evento marcado para começar às 21. “Vocês podem ficar aqui fora, no hall e na sala de imprensa”, indica o segurança. “E sentar na plateia, a gente pode?”, perguntamos. “Não, a credencial de vocês não permite esse acesso.” Plateia, só para os convidados. Foi o que descobrimos. Íamos dividir o espaço com jornalistas de vários veículos.

Passamos a sondar o nosso campo de ação. À frente, a tal sala de imprensa, com divisórias e uma bancada de madeira. No lado esquerdo, a sala VIP, para convidados e assessores dos candidatos. Os personagens principais do cenário chegam, não param para falar com a imprensa e seguem para um espaço reservado atrás do palco. 

A cobertura dos bastidores

Começamos a planejar nossa estratégia de cobertura. Primeiro passo: entrevistar os profissionais que estavam na produção ou iriam participar do debate. Conversamos com os jornalistas Bruno Paes Manso e Julia Duailibi, ambos do Estadão. A dupla ficou responsável por perguntas direcionadas aos candidatos no terceiro bloco. Conseguir arrancar uma resposta que fugisse do óbvio era o principal objetivo deles. “A ideia é tirar uma reflexão que saia do discurso do marqueteiro”, afirmou Manso.

Auber Silva entrevista Bruno Paes Manso

Alguns minutos depois, surgiu no hall o mediador do debate, Mario Sergio Conti, da TV Cultura, que compartilhava a preocupação dos colegas. “Os debates vêm ficando cada vez mais engessados, com assessores treinando os candidatos.” Outra esperança de conseguir algum diálogo mais interessante estava depositada na participação dos internautas – o primeiro bloco inteiro seria dedicado às perguntas gravadas em vídeo pelo público. “É a possibilidade de explorarmos a ampliação do acesso ao debate. A internet tem a capacidade de ajudar o exercício da cidadania”, explicou presidente do Google no Brasil, Fábio Coelho. Quem nos apresentou a ele? Bem, temos de falar que foi o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour.

Kassab, o atual prefeito

Fomos conversar com o diretor de Conteúdo do YouTube, Álvaro Paes de Barros, também envolvido na promoção do debate. “Um eleitor melhor informado tende a tomar uma melhor decisão na hora de votar.” Olhamos para o lado. E lá estava ele, o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD). Não tivemos dúvida. Seguimos em frente. Kassab contou que todos os políticos costumam ficar muito nervosos durante os debates. “É o momento no qual o candidato mais se expõe, onde ele é mais testado.”

Thiago Mattos com executivos de YouTube (centro) e Google (à dir.)

 

Mais um golpe de sorte. Como nem todos os lugares haviam sido ocupados pelos convidados, os jornalistas puderam ficar na plateia. Todos com seus computadores, prontos a registrar o debate minuto a minuto. Quem disse que jornalista não precisa de sorte? “Atenção estúdio, 30 segundos”. Vai começar.

Tensão e risos

Enquanto no palco alguns candidatos disparavam contra seus rivais, os fotógrafos faziam o mesmo na parte superior do auditório. Vez por outra, eram ouvidos gritos de aprovação ou protestos, além de risadas após as tiradas mais espirituosas. Os intervalos eram sinônimos de corre-corre. Água, um biscoito no bufê, mais alguma entrevista de bastidor. “Três minutos”, grita uma produtora. Os assessores já estão com os candidatos há um bom tempo. Certamente discutem o desempenho até ali e planejam as próximas ações. Muitos ainda estão de pé na plateia. “Por favor, vamos entrar em trinta segundos, voltem imediatamente para seus lugares”, brada o diretor. “ENTRAMOS EM DEZ, NOVE, OITO…”. Correria.

Na plateia, alguns achavam que o debate havia sido longo demais. Outros avaliavam a participação dos seus favoritos. O fato é que o evento tinha chegado ao fim. Mas não o trabalho dos jornalistas, dos cientistas políticos, dos comentaristas… Eles ainda tinham de produzir reportagens, de tentar explicar aquele capítulo da disputa de 2012 para a Prefeitura de São Paulo. Capítulo do qual nós, os focas Auber e Thiago, fizemos parte.