Histórias de São Paulo e fact checking
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Histórias de São Paulo e fact checking

Carla Miranda

22 Outubro 2015 | 18h58

Por Luisa Pinheiro

O repórter fotográfico Tiago Queiroz abriu a primeira rodada de palestras desta quinta-feira, 22, para falar sobre reportagens que nascem a partir de imagens. Tratando São Paulo como uma fonte inesgotável de pautas, o fotojornalista do Grupo Estado há doze anos disse que descobre muitas histórias da cidade porque não tem o hábito de andar de carro, mas a pé ou de metrô.

Tiago Queiroz - Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Tiago Queiroz – Semana Estado 2015. Foto: Lucas Lopes

Foi assim que Queiroz iniciou a apuração da pauta dos meninos prateados que pintam o corpo como estátuas vivas, mas fazem malabares nos faróis e cruzamentos ou pedem esmola no metrô como formas de sobreviver na cidade. Só na metade do processo de apuração o repórter fotográfico conseguiu vender a pauta para o caderno Aliás, publicado aos domingos, e passou a ir com a repórter Mônica Manir para conversar com as fontes. A reportagem “Nóis é prateado” foi publicada no dia 18 de julho.


Entre as outras crônicas urbanas contadas durante a palestra, o repórter destacou a história dos fazendeiros à beira do rio Tietê, que criavam porcos e plantavam legumes, e as dos moradores de rua que fizeram abrigos improvisados com cavaletes de propaganda política, foto que acabou publicada na capa do jornal.

A partir das perguntas do público, Tiago Queiroz comentou que às vezes é necessário tirar fotos escondido, mas que prefere tentar se aproximar das pessoas. No caso dos meninos prateados, por exemplo, ele se encontrou com as fontes algumas vezes sem câmera até conseguir tirar as primeiras fotos. “O fotojornalista é sempre o que corre mais riscos, o que vai para a linha de frente. É sensacional que seja assim, porque odeio ficar na redação”, respondeu. Sobre a manipulação de imagens em softwares, o repórter afirmou que é possível mexer com cuidado, sem alterar o sentido da foto.

Jéssica Mota e Marina Dias - Semana Estado 2015. Foto: Luisa Pinheiro

Jéssica Mota e Marina Dias – Semana Estado 2015. Foto: Luisa Pinheiro

Fact-checking. Em seguida, as jornalistas Jéssica Mota e Marina Dias, da Agência Pública, apresentaram o Truco, projeto de checagem do discurso político em parceria com o site Congresso em Foco. Iniciado para acompanhar os programas de governo dos candidatos à presidência em 2014, o modelo foi adaptado neste ano para checar o que os congressistas falam dentro e fora do plenário. Inspirado em projetos como o argentino Chequeado, o Truco foi criado a partir das regras do jogo de cartas.

Para Marina Dias, não faz sentido falar sobre qual candidato mentiu mais durante as eleições. “Tem muitas coisas que não dá para checar, porque são informações vagas, generalizadas”. Jéssica Mota também destacou que, além de checar o discurso dos parlamentares, há a preocupação de explicar o funcionamento do Congresso Federal, como o infográfico publicado no dia 20 sobre o processo aberto pelo Psol e Rede que pode levar à cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “A prática do fact-checking deve ser de qualquer jornalista, que deve buscar sempre a fonte primária”, recomendou Jéssica Mota para evitar a circulação de notícias falsas.