Jornalismo de qualidade é antídoto para fake news, diz Luis Fernando Bovo
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Jornalismo de qualidade é antídoto para fake news, diz Luis Fernando Bovo

Para editor executivo de conteúdos digitais do Estado, profissão de jornalista ganhou força

Redação

24 Outubro 2017 | 23h24

Luis Fernando Bovo, editor executivo de conteúdos digitais do Estadão (Foto: Igor Moraes)

Por Igor Moraes

Pode parecer um paradoxo, mas as fake news são uma boa notícia para o jornalismo de qualidade. Isto porque, enquanto inunda as redes sociais de mentiras, a publicação sistemática de informações falsas por sites e perfis especializados nesta prática também aumenta o destaque do trabalho bem feito pelos jornalistas. A constatação é de Luis Fernando Bovo, editor executivo de conteúdos digitais do Estado.

“Mais do que nunca, o jornalismo de qualidade está se diferenciando. O jornalismo de qualidade é o antídoto para o fake news. Se tem um antídoto, é o Estadão, o New York Times, o Guadian, o Washington Post. Quando a gente achava que a profissão de jornalista estava acabada, ela ganhou força”, afirma Bovo.

Ele foi um dos palestrantes da 12ª Semana Estado de Jornalismo nesta terça-feira (24), onde apresentou o Manchetes Estadão, serviço de envio de notícias pelo WhatsApp.

Segundo o executivo, para atuar de maneira efetiva contra a disseminação de notícias falsas, é importante que o jornalista tenha uma boa formação e saiba diferenciar o trabalho do profissional da simples “produção de conteúdo”.

“Meu filho de dez anos produz conteúdo. Você posta uma foto, uma coisinha qualquer, e produz conteúdo. O jornalismo é outra coisa. Envolve metodologia, apuração, texto, o outro lado. É uma construção. Nunca foi tão importante que o jornalista estudasse, se aprofundasse, soubesse como fazer jornalismo. Para mim, esta é a grande questão”, diz.

Jornalista desde 1992, Bovo começou a trabalhar na internet em 2010, quando foi convidado por Pedro Doria, então editor-chefe de conteúdos digitais, para desenvolver o site de política do portal Estado.

“Fizemos os primeiros blogs de debates, as primeiras páginas de candidato, a primeira apuração. Foi bem legal, ganhamos prêmios internos por causa dessa cobertura que a gente fez em 2010. E aí foi o começo de tudo. Depois disso, eu fui ser editor do portal e logo na sequência fui ser editor executivo de conteúdos digitais”, conta.

Sem experiência na web, ele relata que sua visão como “consumidor” de notícias online foi o que embasou o projeto que desenvolveu na época. Para o executivo, mais do que procurar formações técnicas para determinados tipos de plataformas, os jornalistas precisam conhecer a variedade do que é produzido na área.

“Você tem que pensar em você. Você é o consumidor digital. O que te irrita no digital? O que te agrada? É por aí que a gente tem que trabalhar”, afirma. “O jornalista não tem que se capacitar para uma coisa ou outra. Ele tem que, acima de tudo, consumir. Navegar pelos sites de notícia, pelas redes sociais, ler o jornal impresso”, completa.