O caminho inusitado do editor-chefe da VICE, André Maleronka, pelo jornalismo
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O caminho inusitado do editor-chefe da VICE, André Maleronka, pelo jornalismo

Redação

25 Outubro 2017 | 16h37

O editor-chefe da VICE no Brasil, André Maleronka, foi convidado da Semana Estado de Jornalismo

Por Alessandra Monnerat

Foi, em parte, o caminho inusitado de André Maleronka pelo jornalismo que o levou a ser o editor-chefe da VICE Brasil. Há oito anos na versão brasileira do veículo global, ele já escreveu sobre escalpelamento na Amazônia, descreveu os primórdios do hip hop no país e até fez Maria Louca, a bebida alcoólica feita em presídios. “Sempre achei: vou escrever sobre essas coisas que ninguém se interessa. E me dei conta, ninguém está escrevendo sobre sexo, sobre rap. São coisas grandes no Brasil e há espaço para escrever sobre elas”.

Maleronka começou como estagiário da redação da MTV, com apenas 17 anos. Pouco depois, ele estaria escrevendo sobre a vida de grandes nomes do metal para um serviço pago por telefone. Mais tarde, suas reportagens apareceriam em veículos que vão da publicação de música Rolling Stone até a revista masculina de nu Ele e Ela. Sua formação é em Geografia, pela USP – o jornalista nunca se formou em Comunicação. “Eu lia muito Milton Santos, achava que ia me ajudar a ser um jornalista melhor e realmente foi. A biblioteca da FFLCH foi muito interessante para mim, sempre fui muito autodidata”.

Hoje, o editor-chefe vê a mesma predileção pelo inesperado nos repórteres mais jovens, especialmente os que ainda estão na faculdade de Jornalismo. Por também serem o público da VICE, é mais frequente que os freelancers mais inexperientes acertem mais nas sugestões de pauta, afirma Maleronka. “Às vezes dá até mais trabalho de edição de ter o produto jornalístico que você precisa. Mas eles acertam no jeito de falar, mais do que o pessoal da velha guarda, que já tem um certo vício”.

O jornalista, no entanto, aponta um problema para a contribuição de estudantes e repórteres mais jovens: quando formados, eles tendem a se mudar para grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro por falta de oportunidades em suas cidades natais. A cobertura fora do Sudeste, portanto, fica prejudicada. “Seria interessante ter colaboradores em cada capital. Tem muita pauta legal de todo lugar do Brasil, é um país gigante, e você não consegue dar”.