O cavalo de macumba
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O cavalo de macumba

Redação

08 Outubro 2010 | 11h18

“O editorialista é um cavalo de macumba. Ele só transmite para o público o que o jornal pensa.” Os focas ouviram essa frase no terceiro dia do curso, de um dos palestrantes que mais arrancou risadas da turma. José Nêumanne Pinto, editorialista do Jornal da Tarde e comentarista na televisão, tem um jeito bonachão. Entrou na sala, sentou-se e disse: “Meu apelido é cabeção, vocês já devem ter notado por que.”

Ele passou cerca de duas horas contando sua experiência como repórter de política, escritor e opiniático de carteirinha. A turma se deliciou ao ouvir bastidores da relação do jornalista com políticos que ajudaram (para o bem e para o mal) a fazer a história do País, como Lula, Antônio Carlos Magalhães, Fernando Collor e Paulo Maluf. Em um dos episódios, o então presidente Collor encontrou Nêumanne em uma festa e começou a reclamar que não recebia mais telefonemas do repórter depois de eleito. “Ele me gritou umas três pautas. No dia seguinte virou manchete.”

Nêumanne disse não concordar com a posição de alguns editoriais que escreve, mas o seu trabalho consiste em expressar a opinião do veículo para o qual trabalha. O espaço para explicitar suas convicções pessoais é o artigo assinado na página 2 do Estadão a cada 15 dias. “Escrever é uma questão de lógica, tive a sorte de ter um bom professor de lógica no seminário, fez toda a diferença”, afirmou.

Um dos momentos mais engraçados foi a descrição dos bate-papos com um de seus patrões, Silvio Santos. Ele disse ter passe livre para ver o dono do SBT em um salão de cabeleireiro fechado para Silvio nas manhãs de segunda-feira. Enquanto o criador de clássicos da TV brasileira corta o cabelo, Nêumanne conversa sobre o trabalho na emissora. “O diretor do jornal disse para eu parar de usar gravata, porque eu não tenho pescoço. Quando contei para o Sílvio, ele me perguntou por que eu não havia tirado ainda.”

Uma das histórias do jornalista que mais provocou admiração e inveja (branca) nos focas foi a cobertura que ele realizou das greves no ABC paulista. Episódio inédito e crucial para a transição democrática brasileira. “Foi naquele momento que senti que estava vendo a história acontecer, fazendo parte dela”. Com essa frase, ele resumiu o desejo de milhares de jovens jornalistas: cobrir um fato relevante, que será eternamente lembrado.

Bruna Maia, de 24 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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