O jornalismo e o número ‘dois’
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O jornalismo e o número ‘dois’

Redação

11 Outubro 2010 | 15h42

Faz uma semana, fomos duplamente presenteados por Cecília Thompson. A começar pela sua vivacidade. Quanta paixão! Quem a vê sem notar além da aparência não reconhece a jornalista que, há dois anos, ainda trabalhava na redação do Estado. “É a dos meus sonhos”, lembra, orgulhosa.

Jornalista de alma indignada, Cecília foi uma das precursoras da invasão feminina nos jornais. Escritora, militante do teatro e do cinema, sua biografia causa uma inveja saudável.

A admiração pela história dela cresceu quando, de forma envolvente, nos contou sobre a resistência à ditadura militar no Brasil. À época, tinha duas ocupações: era repórter do Estado e agitava o Teatro de Arena de São Paulo – ela era casada com o ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri (de Eles não usam black-tie), com quem teve dois filhos.

Por mais de duas horas, a doce Cecília conversou conosco. Contou muitos casos do jornalismo brasileiro. Uma oportunidade memorável. Aos iniciantes na profissão – ou no modo de viver jornalístico, como seria mais apropriado para ser fiel ao que ela disse –, Cecília deixou algumas dicas essenciais:

1. Ter um português perfeito
2. Apurar cuidadosamente
3. Checar a informação duas vezes
4. Ouvir os dois lados da história
5. Escutar, no mínimo, duas fontes
6. Reler o texto duas vezes

Além de sua presença, Cecília também deu um livro a cada foca. Ela está se desfazendo de sua biblioteca. “Temos metade da vida para acumular, e a outra metade para doar”, disse.

Carinhosamente, nos dedicou um

Documento

de quando ingressou na redação. A mensagem, agora, enfeita nossa sala de treinamento.

Felipe Frazão, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e cursa Ciência Política na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)

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