Ô, moço, me dá um cigarro
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ô, moço, me dá um cigarro

Redação

21 Outubro 2010 | 16h00

A compra de uma carteira de cigarros na banca de revista é um ato simples, mas exige o funcionamento de toda uma indústria por trás. Em três dias de viagem a Santa Cruz do Sul, conhecemos diversas etapas do processo produtivo do cigarro. Tivemos contato com produtores, sindicalistas e empresários que sustentam a existência do tabaco não como um produto maléfico a saúde, mas como meio de subsistência.

Um a um, eles enumeraram argumentos para defender seus pontos de vista, fundamentados com números e dados concretos. Só na Região Sul do País, 185 mil pequenos produtores vivem do tabaco em 720 municípios, disseram. Juntos, os agricultores são responsáveis por 668 mil toneladas do produto, constituem 2% das exportações brasileiras e faturam U$ 17,4 bi ao ano.

No meio desse processo, nos foi apresentados o agricultor Alceu Tornquist, que nos mostrou sua casa, família e modo de sustento. Ele nos fez enxergar além dos números. Ele e a mulher mantêm, sozinhos, a propriedade de 8 hectares que herdaram dos pais dele, mas na época de colheita de tabaco recebem a ajuda de outras sete pessoas. Para Alceu e as famílias que vivem do produto, este é apenas um meio de sustento que, por ora, gera mais lucros em pequenas propriedades de terra.

Gostaria de ter tido a oportunidade de conhecer Alceu e sua família mais de perto, assim como outros produtores de tabaco da região que iniciam todo o processo e são, muitas vezes, a parte esquecida da equação pelos consumidores, críticos e até pelos empresários que se utilizam deles como estratégia para continuar o seu negócio.

Conseguimos, aos poucos, enxergar uma realidade que vai além do nosso cotidiano e das imagens pré-fabricadas que levamos conosco. Resta para nós, agora, procurarmos por nossa conta as etapas seguintes do processo para daí fazer recortes fundamentados sobre o assunto e não somente pensar que a compra do cigarro na banca é um ato isolado.

Carolina Almeida, de 22 anos, é formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)