Por que jornalismo?
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Por que jornalismo?

Redação

22 Outubro 2010 | 20h37

Conversar com jornalistas que acumulam décadas de profissão é uma grande oportunidade para o foca repensar e fazer ajustes em uma carreira que apenas se inicia. Funciona como um confronto entre expectativas – por vezes românticas e, por vezes, céticas – com a realidade do trabalho de uma vida inteira em redações. Diversos encontros com pessoas que construíram longas e notáveis trajetórias têm nos ajudado a fazer essas reflexões durante o curso.

Em conversas informais, jornalistas como Cecília Thompson, Alberto Tamer e Márcia Glogowski recontaram suas histórias por meio de casos do cotidiano e de coberturas que consideraram marcantes. Claro que cada um revelou impressões diferentes sobre as potencialidades e limitações da profissão, mas todos demonstraram manter com ela uma relação quase passional.

Para a doce Cecília, os anos de chumbo carregaram os sonhos de uma geração inteira, mas foram incapazes de apagar sua certeza de que o jornalista pode, sim, contribuir para reduzir as mazelas do mundo. Com olhos marejados, ela reiterou algumas vezes que fizemos a escolha certa e que, se ela pudesse escolher, morreria dentro de uma redação.

Márcia Glogowski enfrentou mais desilusões na vida profissional. O que a fez optar pelo jornalismo foi o mesmo desejo incontrolável de mudar o mundo, mas essa ilusão ficou perdida em algum momento de sua carreira. “Querem a verdade? Isso não é possível.” Funcionária do Grupo Estado por 30 anos, ela se cansou da rotina frenética do hard news e trabalha hoje em uma assessoria de imprensa. Mas, ainda assim, não resiste aos encantos da atividade: “O jornalismo não é uma profissão, é um vício.”

O diálogo que Tamer teve com sua mulher assim que chegou em casa após a conversa conosco  (enviado por e-mail), confirma a força que o jornalismo preserva de deixar saudades.

– Como foi a conversa com os focas?
– Foi ótima, parece que nos comunicamos bem.

E ela, que o conhece há 53 anos, acrescentou:

– E por que você está com essa cara?
– Porque me levou de volta ao passado, e o passado não existe
–  Não acrescentei para não atormentá-la, mas todo passado é triste. Os velhos vivem como asilados no presente.

Mesmo entre os focas que não acreditam na função social do jornalismo, os depoimentos comoveram. É como se aquela ideia de magia – refutada pelos mais realistas – ganhasse legitimidade na voz dos experientes.

Érica Saboya, de 24 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na PUC-SP