Questões que incomodam
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Questões que incomodam

Redação

22 Outubro 2010 | 12h10

O que vem depois de uma pergunta? Uma resposta. Pode não começar com letra maiúscula e terminar em ponto final, como a anterior. Em forma de declaração, de silêncio, de olhares para cima ou para baixo e até na testa cuidadosamente coçada do entrevistado. Lá está ela, a resposta, desesperada pela atenção do jornalista.

Quando começaram? O que vendem? Quem compra? Como matam? Onde escondem? Por que não mudam? Com os questionamentos, a resposta vai se revelando, ainda que em muitos casos de forma lenta e gradual. Essa é, na maioria dos casos, nossa missão.

Minha dica é: para tirar o blablablá e buscar o que há de relevante, busque as contradições do entrevistado. Encontrou? Parabéns. Você sabe, de uma tacada, duas coisas. Primeiro, que pelo menos uma das informações fornecidas por ele é incorreta. Além disso, descobre a intenção propositada de distorcer algo em específico. Sempre funciona. Sempre.

Quase nunca, no entanto, sua fonte vai gostar de ser encurralada. Muitas questões incomodam. Perguntar, às vezes, ofende. O desconforto momentâneo, porém, não deve ser justificativa para não se questionar. O jornalista omisso é o que erra de modo mais grosseiro. O jeito é desenvolver algumas técnicas para mexer na ferida sem receber uma resposta deselegante. Como fazer isso? Esse é o tipo de resposta que não termina em ponto final.

Fábio Pupo, de 21 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

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