Trabalhando em equipe: a arte do infográfico
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Trabalhando em equipe: a arte do infográfico

Redação

29 Outubro 2010 | 16h31

Neste início de carreira como jornalista, já cometi muitos erros. Mas o mais constrangedor deles envolvia um infográfico. Procurando evitar novos deslizes, fui conversar com Rubens Paiva, infografista do Estado, para saber mais sobre o assunto.

Meu maior equívoco na época foi achar que a minha responsabilidade como jornalista acabava tão logo eu entregava o texto ao infografista. Ingenuamente, pensava que não interferir no trabalho do profissional era um sinal de respeito. Afinal, ele sabia o que estava fazendo e eu… Bom, eu nunca tinha feito um infográfico.

Minha opinião mudou rapidamente quando Rubens começou a falar: “O repórter tem que estar preocupado com a melhor maneira de passar a informação. Ele deve pensar na página como um conjunto coerente.” Como o experiente profissional ressaltou, o jornalista deve estar presente durante todo o processo da infografia. “O repórter é aquele que mais possui intimidade com o tema da matéria e, por isso, a boa comunicação entre as partes é crucial”, disse.

Rubens recomenda que o jornalista, ao perceber em uma reportagem o potencial para a infografia, converse com o profissional de arte antes de iniciar a apuração. Isso ajuda o repórter a entender que tipo de dado será necessário para o infográfico. Nem sempre isto é óbvio para nós, acostumados a pensar em palavras e não imagens.

Ainda que não estejamos habituados com a prática, apresentar ideias para o infográfico é considerado positivo, contanto que o jornalista esteja aberto para ouvir o especialista. “Ouça o infografista. Se ele disser que alguma coisa não dá certo, acredite”, aconselha Rubens.

Conversando com ele, percebi que um dos segredos para um bom infográfico é  o trabalho em equipe. Cabe a nós fazer a nossa parte. Disso depende a harmonia do produto final.

Veja as dicas do infografista para, nós, jornalistas:

– O texto do infográfico é um hipertexto e tem um estilo próprio. Tirar frases da matéria para jogar na arte não é um bom método.
– Use períodos curtos e seja direto. Cada pedaço de texto deve conter uma ideia, uma unidade de informação.
– O texto deve ser, acima de tudo, didático. Quanto menos emoção e elementos estilísticos, melhor.
– Você vai precisar não só de números, mas de uma ordem lógica, que, às vezes, pode ser a inversa da matéria. Na reportagem, vamos direto ao assunto no lead e o contexto pode vir somente no último parágrafo. Já no infográfico, o raciocínio mais eficiente leva o leitor da idéia geral, para o particular.
– Lembre-se que o infográfico precisa funcionar sozinho, isto é, ele possui autonomia na página. Isso significa que o leitor deve poder entendê-lo sem precisar recorrer ao texto.
– Fugir do conteúdo da matéria no infográfico é normal. Ele serve para isso mesmo: transmitir informações que, por serem mais técnicas ou processuais, por exemplo, são mais bem entendidas visualmente.
– As imagens têm que acrescentar informação nova. Não podem estar lá somente para deixar a página mais bonita ou “para dar uma bossa”.
– Evite a redundância de informações no infográfico e no texto. Elas podem ser repetidas somente quando são indispensáveis para a argumentação do repórter.
– Se o infográfico será baseado em dados de uma pesquisa, não se esqueça de pedi-la na íntegra. É preciso ter em mente que a falta de certas informações podem inviabilizar o trabalho.
– Na maioria das vezes, o infográfico tem um título e uma linha fina. Preocupe-se mais em transmitir qual é o assunto e menos com títulos bombásticos. A linha fina deve funcionar como um lead pequeno.

Marina Estarque, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)