Três erros, três lições, três palavras novas
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Três erros, três lições, três palavras novas

Redação

19 Outubro 2010 | 08h37

Para começar, duas coisas: esse case reúne mais de um exemplo de como NÃO se fazer jornalismo; além disso, o foca que vos fala não costuma ser tão ingênuo. Essa foi uma situação extrema e, por reunir tantas falhas, resolvi compartilhá-la.

Como alguns colegas já disseram, uma das primeiras reportagens que tivemos de fazer no curso foi sobre o centro de São Paulo. Tínhamos seis dias para apurar, entrevistar e escrever o texto, eu só fui começar no penúltimo dia. Foi meu primeiro erro.

Escolhi como tema inicial a Galeria do Rock, lugar que frequento desde a adolescência. Uma das minhas fontes seria o administrador da galeria, no cargo há mais de dez anos. Logo, o primeiro passo seria falar com ele, tanto para entrevistá-lo, quanto para comunicar que iria conversar com comerciantes e frequentadores do local. Era sexta à tarde, a matéria tinha de ser terminada até as 23h59 do sábado.

“Para fazer matéria na galeria, você tem de enviar um pedido formal em papel timbrado com dois dias de antecedência.” Argumentei com ele da possibilidade de “flexibilizar” os prazos. “Não importa de que jornal você é, todos têm de adotar o mesmo procedimento.” Segundo erro: achar que, por estar em um grande jornal, poderia pular etapas. Nenhum jornalista é melhor que outro por estar em um veículo com um número menor ou maior de leitores.

A pauta caiu. Tinha pouco mais de três horas para encontrar uma pauta, entrevistar pessoas e pesquisar informações, já que, no sábado, é muito mais complicado conseguir falar com alguém.

Percorro o centro de São Paulo enquanto faço um brainstorm de pautas possíveis. Primeira ideia, perfil dos engraxates que ficam na frente do prédio da Bovespa: eles não podem dar entrevistas sem autorização prévia. Entrevistas com os artistas de rua da Praça da Sé: todos já haviam ido embora. Matéria sobre as chapelarias que se concentram na região da Praça do Correio. Chego ao fundo do poço: além de o nome do jornal não comover o proprietário da loja mais antiga, o dono ainda pede exclusividade. Terceiro erro: não pensar na possibilidade da pauta principal cair.

No fim, consegui uma matéria sobre a Galeria Presidente, onde encontrei personagens muito interessantes, num lugar que poucos prestam atenção. Obviamente, o texto não saiu como eu queria, mesmo porque não se faz mágica com pouco tempo.

Não só nesse caso, mas durante todo o curso, aprendemos quase diariamente novas lições sobre as práticas e os valores de um jornalista profissional. Mas essa tentativa de fazer tudo em cima da hora inseriu mais três palavras no glossário do bom jornalista que eu pretendo levar comigo até o fim da carreira: planejamento, humildade e precaução.

Rodrigo Rocha, de 23 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP)

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