‘Estadão Notícias’: Governo replica no Rio modelo fracassado do México, alerta especialista
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‘Estadão Notícias’: Governo replica no Rio modelo fracassado do México, alerta especialista

Emanuel Bomfim

26 Fevereiro 2018 | 06h00

Edição desta segunda-feira, 26, volta a debater o modelo de enfrentamento da criminalidade no Rio de Janeiro com a intervenção federal decretada pelo governo Michel Temer. A escolha do poder público foi colocar os militares em postos de comando administrativos, além de ampliar a presença de soldados nas ruas. De imediato, há uma reação positiva da população, pois se percebe um Estado mais atuante e presente, em contraponto ao abandono habitual. Mas do ponto de vista prático, a pergunta é uma só: vai funcionar? As quadrilhas de narcotraficantes, por exemplo, serão desmontadas? Conversamos com um especialista no assunto, o professor Thiago Rodrigues, coordenador da pós-graduação em Estudos Estratégicos e Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense. Ele estuda justamente o emprego de forças armadas para combater grupos narcotraficantes na América Latina.

Segundo Thiago, o modelo aplicado no Rio remete diretamente à experiência mexicana, em que se escolheu a militarização para tentar exterminar os cartéis e o mercado ilegal de drogas. “O México é um caso bastante grave, no qual a tentativa de militarizar o combate ao narcotráfico com o envio de tropas do exército e da marinha para ocupar cidades e regiões do país e enfrentar diretamente grupos narcotraficantes nos últimos dez anos demonstrou-se um grande fracasso”, afirma. Ouça a entrevista completa no player acima.

 

Thiago ainda comenta na entrevista se a abordagem do Uruguai em relação à maconha pode dar pistas para se buscar um caminho mais eficiente na questão das drogas no Brasil. “O que existe no mundo é a fórmula da proibição das drogas. Nós sabemos que este modelo não deu certo para alcançar aquilo que se propunha, ou seja, o controle, a diminuição e até, em certos em casos, o fim do uso de algumas drogas. São 100 anos de repressão, muitas tentativas de reforma, de atualização, de aperfeiçoamento, com militares, sem militares, com investigação, com inteligência, com controle internacional, enfim, é um modelo fracassado no mundo inteiro. Não tem nenhum lugar onde o proibicionismo tenha dado certo para acabar com o mercado de algumas destas drogas que foram proibidas”.

 

Confira ainda nesta edição a nossa tradicional agenda econômica da semana, que sempre apresentamos às segundas-feiras, com os comentários da editora do Broadcast econômico, Silvia Araújo. O foco destes próximos dias está todo no resultado do PIB do último trimestre, que será divulgado na próxima quinta-feira.

 

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